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Crítica: “Destruição Final 2” (Greenland 2: Migration)

Texto: Ygor Monroe
12 de janeiro de 2026
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

O fim do mundo, quando vira rotina, perde a grandiosidade e ganha um aspecto quase burocrático. Sobreviver deixa de ser um milagre e passa a ser um protocolo. Em meio a túneis gelados, mapas rabiscados e promessas de um novo começo, uma família atravessa ruínas tentando convencer a si mesma de que ainda existe futuro. O apocalipse aqui se comporta mais como um teste de resistência emocional do que como um espetáculo de destruição.

Crítica: "Destruição Final 2" (Greenland 2: Migration)
Crítica: “Destruição Final 2” (Greenland 2: Migration)

Em “Destruição Final 2”, a família Garrity emerge do bunker na Groenlândia com a sensação de que o pior já passou, só para descobrir que o planeta resolveu continuar em colapso. John, Allison e Nathan precisam cruzar um mundo que mistura destroços, desconfiança e a memória de tudo o que foi perdido. A jornada em direção ao sul da França, onde o impacto do cometa Clarke teria criado um novo ponto de esperança, assume contornos de odisseia pós apocalíptica.

Os primeiros minutos encontram um tom quase contemplativo. A vida no bunker, com suas rotinas improvisadas e tentativas de normalidade, lembra a melancolia de um jogo como “Death Stranding”, em que cada deslocamento carrega um peso existencial. A ideia de que o ser humano tenta recriar uma falsa estabilidade mesmo quando o mundo acabou funciona como o aspecto mais interessante do filme.

O problema surge quando a narrativa abandona essa introspecção e abraça uma lógica de conveniência extrema. A cada nova parada, estranhos viram aliados, ameaças aparecem e desaparecem conforme o roteiro precisa avançar. O suspense, que deveria nascer do ambiente hostil, acaba sendo substituído por decisões que desafiam qualquer senso de lógica. Personagens secundários entram e saem da história sem tempo suficiente para se tornarem relevantes, transformando encontros em peças descartáveis.

Ainda assim, existe um charme curioso nesse caos. Gerard Butler sustenta John como um herói cansado que continua avançando mais por teimosia do que por fé. Morena Baccarin entrega uma Allison que tenta equilibrar força e desespero, enquanto o jovem Nathan funciona como a lembrança constante do que ainda precisa ser salvo. Mesmo quando o filme tropeça, a dinâmica familiar impede que tudo desmorone de vez.

“Destruição Final 2” acaba se transformando em algo próximo de uma paródia involuntária do cinema de catástrofe. O orçamento elevado se traduz em explosões, colapsos e paisagens devastadas, mas o impacto emocional raramente acompanha a escala visual. O resultado é uma experiência que pode ser frustrante para quem busca um drama apocalíptico sério, mas estranhamente divertida para quem aceita o exagero como parte do pacote.

O longa funciona como uma colisão cinematográfica de alto custo. Ele nunca se aproxima de um grande filme, mas entrega uma montanha russa de absurdos, tensão e momentos de pura incredulidade que garantem entretenimento. Em um gênero saturado, talvez isso já seja uma forma peculiar de sobrevivência.

“Destruição Final 2”
Direção:
Ric Roman Waugh
Elenco: Gerard Butler, Morena Baccarin, William Abadie
Disponível em: Cinemas a partir de 5 de fevereiro de 2026

⭐⭐⭐

Avaliação: 2.5 de 5.

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Temas: CríticaGerard ButlerMorena BaccarinResenhaReviewWilliam Abadie

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