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Crítica: “Disputa Final” (The Last Gunfight)

Sangue, suor e regras inexistentes. O espetáculo aqui se organiza a partir da lógica mais primitiva do cinema de ação, aquela em que o impacto vem antes da explicação e o corpo em movimento vale mais do que qualquer subtexto elaborado. O filme aposta na violência como linguagem central e faz disso sua identidade, sem pedir licença para refinamentos que jamais fizeram parte dessa proposta.

Crítica: “Disputa Final” (The Last Gunfight)

“Disputa Final” se desenrola dentro de um torneio clandestino onde assassinos de elite entram sabendo que só existe uma saída possível. A ideia remete a uma tradição já bastante explorada do gênero, mas o diferencial surge quando uma célula paralela se infiltra na competição com um objetivo específico, sobreviver ao massacre e derrubar quem controla o jogo. Essa camada extra adiciona tensão narrativa e evita que o longa se limite a uma sucessão mecânica de lutas.

James Bamford demonstra, mais uma vez, domínio absoluto da encenação física. As cenas de combate são claras, diretas e filmadas com atenção ao impacto real dos golpes. Cada tiro e cada queda carregam peso, algo raro em produções de orçamento contido. Existe uma compreensão precisa de espaço, tempo e coreografia, ainda que o cenário repita locações reconhecíveis e denuncie restrições financeiras. O uso de efeitos digitais, especialmente sangue e disparos, soa artificial, mas não chega a comprometer o ritmo.

O início demora a engrenar. A construção do torneio se estende além do necessário, testando a paciência de quem busca ação imediata. Quando o confronto finalmente se estabelece, o filme encontra seu melhor momento e mantém o fôlego até o encerramento. O ritmo elevado e a quase ausência de pausas funcionam como combustível para essa experiência direta e barulhenta, típica de uma sessão despretensiosa.

O elenco entrega exatamente o que se espera. Daniel Bernhardt sustenta presença e carisma com a naturalidade de quem conhece bem esse território. Shaina West impressiona pela fisicalidade e segurança nas lutas, enquanto Charlotte Vega oferece algum lastro emocional em meio ao caos. Jon Voight surge em um papel exagerado, quase caricato, que dialoga com o tom exploratório da obra. As personagens permanecem rasas, arquétipos ambulantes, mas cumprem sua função dentro da engrenagem proposta.

“Disputa Final” entende suas limitações e também seus pontos fortes. Não busca reinventar o cinema de ação, prefere entregar pancadaria bem filmada e entretenimento rápido, daqueles que resolvem a necessidade imediata de explosões, socos e confrontos extremos. Para quem procura um filme B honesto, consciente de sua estética e eficiente no que se propõe, a experiência funciona como um acerto pontual.

“Disputa Final”
Direção:
James Bamford
Elenco: Daniel Bernhardt, Jon Voight, Shaina West
Disponível em: Paramount +

Avaliação: 3 de 5.

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