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Crítica: Dominic Fike, “Rocket”

O que mais impressiona em “Rocket” é como Dominic Fike, finalmente, parece encontrar o centro de gravidade de sua própria música. Se até então seus trabalhos davam a sensação de rascunho, de lampejos que nunca se consolidavam em algo maior, aqui há uma clareza inédita. É o projeto mais focado de sua carreira, o primeiro em que a inquietação criativa não se traduz apenas em experimentos dispersos, mas em um corpo coeso, que respira, que se sustenta por inteiro.

Crítica: Dominic Fike, “Rocket”

Desde a primeira audição, fica claro que Fike não se contenta em ser apenas mais uma voz do indie ou do pop alternativo. Ele constrói uma tapeçaria sonora que flutua entre estilos, mas sem perder a linha mestra: a guitarra. Esse instrumento é a espinha dorsal do disco, o fio que conecta universos aparentemente incompatíveis, do rap à balada introspectiva, do R&B diluído ao pop mais imediato. A diferença é que, em “Rocket”, esses movimentos não soam improvisados. Eles se encaixam como peças de um mosaico pensado para mostrar amplitude sem abrir mão da identidade.

O ponto alto é justamente esse: a sensação de maturidade. Dominic sempre teve talento para criar melodias que grudam, mas parecia refém da própria indecisão artística. Agora, o que antes eram fragmentos virou narrativa, e a cada curva do álbum se percebe alguém disposto a mergulhar em si mesmo sem perder o senso de espetáculo. A introspecção é a força motriz aqui, mas não no sentido hermético. Fike olha para dentro e traduz suas inquietações em música que comunica, que chega ao ouvinte com impacto imediato.

Claro que nem tudo é perfeito. A extensão do trabalho ainda deixa escapar momentos que poderiam ter sido mais bem lapidados. Há passagens que parecem interrompidas no auge, como se a ideia não tivesse tido tempo de ser plenamente desenvolvida. Mas até esses deslizes funcionam como sinais de processo, lembrando que o artista ainda está em transformação. É um álbum que não foge da imperfeição, mas a assume como parte de seu charme.

O resultado é um trabalho que se sustenta não pela grandiosidade ou pela ambição desmedida, mas pela honestidade. “Rocket” não tenta ser a obra-prima definitiva de Dominic Fike, mas prova que ele finalmente entendeu como construir uma narrativa sólida a partir de sua própria versatilidade. O disco não é sobre fórmulas de sucesso nem sobre agradar tendências, e sim sobre colocar em ordem os elementos que já estavam ali desde sempre, mas que só agora ganham sentido em conjunto.

É a primeira vez que Dominic soa inteiro. E talvez seja exatamente isso que transforma “Rocket” em algo tão convincente: um álbum que não busca apenas impressionar, mas convencer. Convencer que, depois de tantos ensaios, Dominic Fike realmente decolou.

Nota: 78/100 | Dominic Fike, “Rocket”

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