“Dope Girls” entende que o caos pós-guerra não se resolve com flores e silêncio. Se reconstrói com sangue, risco e um tipo de coragem que nenhuma sociedade decente gosta de aplaudir. É uma série de época com faro de dinamite: explode rápido, estilhaça convenções e faz da ruína o palco perfeito para ascensão de mulheres decididas a tomar o que o mundo insiste em negar.
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Ao invés de se apoiar em eventos saturados da história britânica, a série escolhe cavar nas bordas do período entre-guerras, mergulhando em uma Londres suja, pulsante, cheia de vícios e marcada por personagens femininas que não aceitam mais obedecer ou mendigar espaço. É um drama criminal travestido de retrato histórico, que pisa fundo no acelerador desde o primeiro episódio e não perde tempo com moralismos.
Kate Galloway, interpretada com firmeza por Julianne Nicholson, surge como essa figura improvável que se ergue dos escombros do luto, da dívida e do machismo institucional para construir um império ilícito em pleno Soho. Ela não é vítima, mas também não é heroína. É uma mulher quebrada que encontra no crime uma forma de manter o pouco que ainda ama. E isso muda tudo.
A série aproveita bem essa transformação: de dona de casa resignada a líder impiedosa, Kate transita entre a culpa e a sede de poder, enquanto o roteiro costura sua jornada com violência, ambiguidade e um toque quase operístico. A construção do clube noturno é só a fachada. O que “Dope Girls” realmente levanta é um monumento à sobrevivência feminina em um mundo que só reconhece autoridade em punhos e armas.
Em paralelo, Violet Davies (vivida de forma magnética por Eliza Scanlen) caminha do outro lado da mesma estrada. Uma aspirante à policial em um ambiente que mal sabe lidar com a ideia de mulheres uniformizadas. Se Kate abraça o submundo por desespero, Violet tenta escalar o sistema pelo viés do controle. Só que tudo é contaminado pelo mesmo jogo: para vencer, ambas terão que sujar as mãos até o cotovelo.
A relação entre elas é construída com tensão e admiração mal disfarçada. São opostos complementares, dois reflexos da mesma angústia em ser mulher em um sistema feito para descartá-las. A série sabe usar essa dualidade com inteligência, evitando romantizações e expondo o peso que cada escolha carrega.
Visualmente, “Dope Girls” acerta em cheio. A ambientação de uma Londres decadente e promíscua é feita com rigor e bom gosto. O smog, o neon, os figurinos entre o luto e a libertinagem, tudo colabora para criar um ambiente em que cada cena parece prestes a desmoronar. É um mundo onde nada é puro, nem mesmo o afeto. E a série abraça isso sem medo.
O ritmo é mais urgente do que muitos dramas históricos ousam ser, o que ao mesmo tempo é mérito e armadilha. Depois de um início tão explosivo, a série luta para manter a tensão nas alturas. Alguns arcos ficam pelo caminho, e certas tramas secundárias não se desenvolvem como prometido. Mas há algo sedutor em como a narrativa insiste no desequilíbrio, no impulso, no risco como motor dramático.
Mesmo com falhas pontuais, “Dope Girls” se destaca por sua postura. É uma série que não está interessada em agradar nem em educar. Quer incomodar, provocar, dar voz a personagens que historicamente foram silenciadas ou reduzidas a notas de rodapé. E faz isso com energia, estilo e muita personalidade.
Se você está acostumado com dramas de época onde tudo termina com chá e aceitação, aqui o final da festa é outro. “Dope Girls” serve veneno em taça de cristal, estoura champanhe com tiro e transforma luto em munição. E isso, sinceramente, é exatamente o que esse tipo de narrativa precisava.
“Dope Girls”
Direção: Shannon Murphy, Miranda Bowen
Elenco: Julianne Nicholson, Eliza Scanlen, Umi Myers, Eilidh Fisher, Sebastian Croft, Geraldine James
Disponível em: HBO Max
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