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Crítica: “Emily em Paris” (Emily in Paris) – quinta temporada

Texto: Ygor Monroe
30 de dezembro de 2025
em Netflix, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

Cartões-postais mudam, figurinos se reinventam e a sensação de estar sempre no lugar errado continua sendo o verdadeiro motor da narrativa. A nova temporada se constrói a partir dessa instabilidade charmosa, onde decisões impulsivas carregam consequências reais e a fantasia segue funcionando como linguagem oficial. A série entende que exagero, estética e caos emocional fazem parte do pacote.

Crítica: "Emily em Paris", (Emily in Paris) - quinta temporada
Crítica: “Emily em Paris”, (Emily in Paris) – quinta temporada

Agora instalada em outro eixo europeu, a protagonista encara o desafio de liderar a sede italiana da Agência Grateau, experiência que mistura ambição profissional com impulsos afetivos difíceis de separar. A mudança de cenário renova o fôlego visual e narrativo, transformando cidades históricas em vitrines de campanhas, conflitos internos e romances que surgem sempre no pior momento possível. Um erro estratégico em uma campanha vira catalisador de tensão, colocando em risco acordos, amizades e a confiança construída ao longo dos anos.

A quinta temporada investe mais tempo nas relações do grupo, deslocando o foco do triângulo romântico clássico para uma dinâmica mais coral. Sylvie ganha camadas inéditas, alternando firmeza profissional com fragilidade emocional, enquanto Mindy atravessa um arco que testa lealdade, desejo e maturidade. A fratura na amizade feminina funciona como o conflito mais honesto da temporada, afastando a série do conforto da repetição e forçando escolhas menos glamourosas.

O roteiro se permite brincar com referências culturais e com a própria mitologia construída desde o início. A fantasia urbana permanece, consciente de sua distância da realidade, e isso se transforma em virtude. A série jamais pretende oferecer um retrato fiel da Europa, mas sim uma versão estilizada onde moda, marketing e romance coexistem sem pedir licença. Essa abordagem dialoga diretamente com outras criações de Darren Star, evocando o espírito de “Sex and the City” e “Younger”, onde identidade e pertencimento surgem sempre em conflito com desejo e carreira.

Lily Collins segue confortável no papel, equilibrando ingenuidade calculada e ambição crescente. O texto passa a encarar falhas de frente, permitindo que a protagonista lide com frustrações reais, algo que amadurece o arco sem comprometer o tom leve. A série cresce quando aceita que nem toda decisão rende aplausos imediatos.

“Emily em Paris” continua distante de qualquer pretensão de prestígio televisivo, e essa consciência sustenta sua força. O escapismo aqui funciona como proposta estética e narrativa, oferecendo leveza em um mundo saturado de dramas pesados. Cinco temporadas depois, a fórmula segue viva justamente por se reinventar dentro dos próprios excessos, abraçando o lúdico, o exagerado e o emocionalmente caótico.

“Emily em Paris”
Direção:
Andrew Fleming, Peter Lauer, Katina Medina Mora, Erin Ehrlich, Zoe R. Cassavetes, Jennifer Arnold
Elenco: Lily Collins, Philippine Leroy-Beaulieu, Ashley Park, Lucas Bravo
Disponível em: Netflix

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 3.5 de 5.

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Temas: Ashley ParkCríticaLily CollinsLucas BravoPhilippine Leroy-BeaulieuResenhaReview

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