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Crítica: Exo, “Reverxe”

Texto: Ygor Monroe
26 de janeiro de 2026
em Música, Resenhas/Críticas

O que se ouve logo nos primeiros minutos aqui carrega um peso que vai além de batidas, refrões e escolhas estéticas. Há uma tensão silenciosa atravessando cada faixa, como se a música precisasse provar algo o tempo inteiro. E talvez precise mesmo. Este disco nasce cercado de ruído externo, disputas públicas, ressentimentos mal resolvidos e expectativas infladas. Ainda assim, quando o som começa de verdade, o que surge é um trabalho que se sustenta muito mais pelo esforço coletivo do que pelo contexto que tenta engoli-lo.

Crítica: Exo, "Reverxe"
Crítica: Exo, “Reverxe”

A nova aposta do Exo “Reverxe” funciona como um retorno conceitual e, ao mesmo tempo, como um teste de resistência. A ideia de revisitar o universo ficcional do grupo, com símbolos cósmicos, poderes sobrenaturais e uma mitologia própria, deixa de ser nostalgia vazia e vira ferramenta narrativa. O álbum olha para trás sem romantizar o passado e segue adiante sabendo exatamente o que perdeu no caminho. Isso se reflete diretamente nas escolhas sonoras. A ausência de parte da linha vocal principal obriga o grupo a redesenhar sua identidade musical, e essa adaptação define o disco.

Sonoramente, o caminho escolhido passa pelo trap, pelo EDM e por estruturas mais rítmicas, quase industriais em alguns momentos. Existe menos espaço para harmonias longas e clímax vocais tradicionais, e mais foco em impacto, groove e construção de atmosfera. É uma decisão consciente. Em vez de tentar replicar o que já foi feito em outros tempos, o grupo reorganiza suas forças. Suho, Chanyeol, D.O., Kai, Sehun e Lay assumem responsabilidades diferentes, com destaque para como os adlibs e camadas vocais preenchem lacunas que, em outro cenário, seriam ocupadas de forma mais melódica.

“Crown”, a faixa central do projeto, deixa isso claro desde o primeiro refrão. O instrumental é direto, pensado para grudar na cabeça, e cumpre bem essa função. O gancho funciona, o ritmo empurra a música para frente e a estrutura privilegia impacto imediato. A ausência vocal se faz sentir especialmente na ponte, onde a emoção poderia escalar mais, mas a escolha de inserir um break dançante acaba transformando essa limitação em estratégia. O resultado é eficiente, ainda que emocionalmente contido.

Se “Crown” aposta na repetição e na força do refrão, “Back It Up” vai pelo caminho da explosão. É uma das faixas mais fortes do disco, com energia constante, dinâmica agressiva e uma construção que lembra grandes momentos performáticos do grupo. Mesmo com notas altas que nem sempre atingem o efeito esperado, a música se impõe pela atitude. O tipo de faixa pensada para palco, coreografia e impacto visual.

“Crazy” surge como um respiro mais lúdico dentro do caos controlado do álbum. O pré-refrão e os versos ganham destaque pela fluidez, e a entrada de Sehun no segundo verso entrega um dos momentos mais interessantes do disco. A aceleração no trecho final adiciona um charme inesperado, brincando com tempo e expectativa de forma inteligente.

Em “Suffocate”, o jogo melódico aparece de forma mais sutil. Há um cuidado especial com linhas vocais que se dobram sobre si mesmas, criando sensação de vertigem. Já “Moonlight Shadows” tenta ocupar o espaço da faixa melódica tradicional, mas sente falta de harmonias mais densas. Funciona como clima, mas deixa a impressão de que poderia ir além.

O meio do disco ganha leveza com “Back Pocket” e “Touch and Go”, duas faixas de espírito brincalhão, refrões fáceis e energia pop bem resolvida. São músicas que não tentam ser maiores do que são, e justamente por isso funcionam bem dentro do conjunto.

“Flatline” talvez seja a maior surpresa do álbum. Ao flertar com o pop rock, o grupo pisa em um território pouco explorado em sua discografia. A segunda entrada do refrão se destaca pela força melódica, trazendo um frescor inesperado e provando que ainda existe espaço para experimentar sem perder identidade.

Já “I’m Home”, mesmo carregando o peso simbólico das tradicionais faixas de inverno do grupo, soa mais frágil. As melodias não se fixam com a mesma intensidade, e a emoção parece diluída. Funciona como gesto, menos como impacto musical.

No todo, “Reverxe” é um álbum coeso, mais sólido do que a reação exagerada de parte do público faz parecer. Grande parte da rejeição parece menos ligada às músicas e mais às ausências, transformando críticas em performance coletiva. Ainda assim, o disco se sustenta. Há escolhas inteligentes, boas ideias e um esforço visível de adaptação. Não é o trabalho definitivo do grupo, mas é um registro honesto de um momento específico, marcado por transição, tensão e reconstrução.

Mesmo incompleto, o conjunto prova que ainda existe força criativa aqui. O retorno acontece com cicatrizes à mostra, sem tentar escondê-las. E talvez seja justamente isso que torne o álbum mais interessante do que muitos estão dispostos a admitir.

Nota final: 70/100

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