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Crítica: “Família, Pero No Mucho”

Texto: Ygor Monroe
21 de julho de 2025
em Cinemas/Filmes, Netflix, Resenhas/Críticas, Streaming

Alguns filmes parecem criados por geradores automáticos de roteiro, e “Família, Pero No Mucho” é praticamente um estudo de caso desse fenômeno. Embalado na estética leve de uma comédia familiar e nas gags de manual que o público brasileiro já conhece de cor, o longa tenta fazer graça com o clichê da rivalidade entre brasileiros e argentinos. Mas se perde repetidamente na falta de originalidade, em personagens estereotipados e em piadas que raramente funcionam fora do improviso de Leandro Hassum.

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Crítica: "Família, Pero No Mucho"
Crítica: “Família, Pero No Mucho”

O grande problema não é o humor simples, é o vazio criativo que ocupa cada minuto.

A história gira em torno de Otávio, que surta ao descobrir que sua filha está prestes a se casar com um argentino. A partir disso, o enredo escorrega por situações previsíveis, confrontos sem química e um turismo cinematográfico gelado pelas paisagens de Bariloche. A premissa tinha potencial para brincar com o absurdo, explorar o choque cultural de forma inventiva, mergulhar na comédia de comportamento. Mas o que se vê é um filme que escolhe sempre o caminho mais raso: personagens que não se desenvolvem, conflitos que se resolveriam com um único diálogo razoável e uma moral final despejada como quem precisa explicar o próprio punchline.

Há momentos que tentam flertar com uma sensibilidade maior, principalmente nas poucas interações que abordam a relação entre pai e filha. Mas mesmo essas tentativas são sabotadas por um roteiro que parece receoso de oferecer qualquer emoção real. No lugar disso, surgem cenas forçadas, piadas reaproveitadas e uma sucessão de mal-entendidos que nunca convencem. As atuações oscilam entre o automático e o constrangedor, com destaque negativo para o sotaque caricato do elenco argentino, que mais distrai do que acrescenta qualquer camadas ao que se vê em cena.

A comédia, por mais leve que se proponha, ainda precisa de inteligência. O problema de “Família, Pero No Mucho” é que ele se contenta em fazer rir por dó, não por graça. A autossabotagem é constante: quando esboça alguma ideia interessante, logo recua e mergulha de volta na zona de conforto, como se tivesse medo de sair do rascunho. No fim, o longa parece um episódio estendido de um especial de fim de ano que ninguém pediu. E o sentimento ao subir os créditos não é de leveza, mas de frustração.

“Família, Pero No Mucho”
Direção: Felipe Joffily
Elenco: Leandro Hassum, Julia Svacinna, Gabriel Goity
Disponível na Netflix.

⭐⭐

Avaliação: 1.5 de 5.

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