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Crítica: Jade, “That’s Showbiz Baby”

O primeiro passo de Jade em carreira solo chega com força em “That’s Showbiz Baby”. Lançado pela RCA Records, o disco estreia sem pedir licença e sem nostalgia gratuita de seu passado no Little Mix. O que se ouve aqui é uma artista que, depois de anos de vitórias e estatísticas impressionantes com o grupo, entendeu a urgência de se reinventar e conseguiu entregar algo que não soa como dependência de legado, mas sim como construção de identidade própria.

Crítica: Jade, “That’s Showbiz Baby”

“That’s Showbiz Baby” se alimenta de tudo o que Jade foi até hoje, mas mira em um horizonte diferente. A base é o pop em sua forma mais mutável: ora polido e grandioso, ora experimental e de nicho, com interferências de electroclash, disco e synth-pop. O disco respira esse DNA de reinvenção, apostando no risco como elemento central de sua narrativa sonora. A cada faixa, fica evidente que Jade não queria lançar apenas um catálogo de canções radiofônicas, mas sim um trabalho pensado como espetáculo, com luzes, efeitos e excessos bem dosados.

Os singles de aquecimento, como “Angel of My Dreams”, “Fantasy”, “FUFN (Fuck You for Now)” e “Plastic Box”, já davam sinais de que a proposta caminharia em outra direção. O álbum comprova isso: os arranjos brincam com texturas eletrônicas, cortes abruptos e referências pop que dialogam tanto com Madonna quanto com Robyn, mas sempre com a marca própria da cantora. É uma produção que sabe quando soar grandiosa e quando se retrair em intimidade, algo raro em debuts solos.

Outro ponto que se destaca é a coesão. Apesar da variedade de estilos, tudo se encaixa como se fosse um grande roteiro. O disco flui sem momentos de dispersão, e até as faixas menos impactantes, como “Glitch” ou “Midnight Cowboy”, cumprem a função de manter o ritmo da experiência, em vez de parecerem meros preenchimentos. Isso reforça a ideia de que Jade entrou em estúdio com clareza do que queria: um álbum pop que não se contenta em ser descartável, mas que carrega personalidade em cada detalhe.

Há, claro, ecos de sua trajetória no Little Mix, mas em vez de parecer repetição, esses elementos funcionam como uma assinatura. Jade reconhece suas origens e as transforma em combustível para algo novo. É como se ela pegasse o molde de girl group e o reprogramasse em direção a uma persona mais ousada, que pode citar Donna Summer em uma base disco, mas também mergulhar em camadas de eletrônica contemporânea sem medo.

O que impressiona em “That’s Showbiz Baby” é que, além de tecnicamente bem produzido, ele é divertido de ouvir. É disco de quem sabe que pop precisa ser espetáculo, mas que espetáculo não significa superficialidade. A cada faixa, Jade abre pequenas portas de sua própria narrativa, misturando sensualidade, crítica à indústria e até momentos de vulnerabilidade. Esse equilíbrio faz do trabalho um dos debuts mais interessantes do pop recente.

No fim das contas, “That’s Showbiz Baby” se posiciona como um álbum de estreia raro: ousado, consistente e sem medo de soar grande. Jade entrega um projeto que parece feito para durar, não só para ocupar um espaço imediato nas paradas. É o nascimento de uma carreira solo com identidade já definida, e poucos artistas conseguem isso tão cedo.

Nota: 85/100 | Jade, “That’s Showbiz Baby”

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