“Jogo Cruzado” tenta vender a ilusão de ser uma dessas produções nacionais que finalmente acertam o passe e colocam o Brasil em campo com dignidade no streaming. Mas a verdade é que a série erra feio o alvo, entregando um espetáculo minguado que falha tanto na forma quanto no conteúdo.
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A premissa até acena de longe com uma ideia minimamente curiosa: um ex-jogador de futebol que precisa se reinventar como comentarista, tendo que dividir bancada com uma jornalista linha-dura que o detesta. Matheus Reis, vivido por José Loreto, é a estrela decadente, carregando o peso de um problema cardíaco e uma reputação de bad boy que insiste em gritar mais alto do que qualquer talento que já tenha mostrado em campo. Do outro lado está Elisa, interpretada por Carol Castro, uma profissional que aguardava há anos o sonhado espaço no programa esportivo “Jogo Cruzado”, mas que acaba empurrada para esse arranjo de puro sensacionalismo televisivo.
O maior desvio da série está justamente na maneira como ela se vende como uma grande sacada sobre os bastidores do futebol e da televisão, mas nunca encontra profundidade para falar de nenhum dos dois. O roteiro é fraco, preso em diálogos artificiais que mais parecem esquetes escolares tentando imitar discussões acaloradas de programas esportivos. Tudo soa mecânico, quase preguiçoso, com cenas que parecem se repetir na mesma fórmula desgastada: eles discutem, trocam farpas genéricas, e a “brasilidade” dá as caras por meio de estereótipos rasos.
Nem mesmo o humor, que poderia ser o trunfo para transformar o jogo, consegue marcar presença. O timing cômico falha quase sempre, deixando aquele gosto amargo de piada sem graça que morre antes de chegar na trave. A série quer tanto ser “esperta” que esquece de ser genuinamente divertida. A suposta química de “inimigos forçados a trabalhar juntos”, que poderia render boas trocas, soa montada demais, como se estivéssemos assistindo a um ensaio permanente que nunca evolui para algo crível.
É claro que Loreto e Castro tentam fazer o melhor com o material que têm. Loreto até convence como o boleiro marrento, abusando de gírias e tatuagens que parecem tiradas direto do catálogo de caricaturas do futebol brasileiro. Já Castro faz o que pode para dar estofo à Elisa, lembrando quase uma Sandra Bullock tropical em “Miss Simpatia”. Mas é difícil brilhar quando o texto empurra os personagens para arquétipos tão engessados e quando a direção não oferece respiro para que eles cresçam de fato.
Visualmente, “Jogo Cruzado” também passa longe de impressionar. As escolhas de cenário, figurino e até a fotografia denunciam uma produção que tenta parecer grande, mas se revela acanhada. O ritmo é outro ponto problemático: o jogo demora para começar, e quando engrena, já é tarde demais para o público realmente se importar. Fica a sensação de que a série tinha até bons ingredientes, mas a receita se perdeu no meio do campo.
Por fim, a tentativa de trazer participações especiais de nomes reais do esporte, como Casagrande e Bebeto, soa mais como truque barato para dar verniz de credibilidade a um enredo que não se sustenta. É um fan service deslocado, que expõe ainda mais as fragilidades do projeto.
No placar final, “Jogo Cruzado” amarga. Falta emoção, falta graça, falta substância. O Disney+ pode ter investido em um time promissor, mas o resultado foi um amistoso sonolento, desses que ninguém faz questão de lembrar na temporada seguinte.
“Jogo Cruzado”
Criação: Ariana Saiegh
Elenco: José Loreto, Carol Castro, Leandro Ramos
Disponível no Disney+
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