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Crítica: “Justiça Sem Limites” (The Island)

Texto: Ygor Monroe
12 de janeiro de 2026
em Amazon Prime Video, Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas, Streaming

Um tiro no passado costuma doer mais do que qualquer bala disparada no presente. Quando a memória de uma perda se mistura com o cheiro de maresia e o peso de uma terra marcada por corrupção, o que nasce é um desejo quase primitivo de acerto de contas. É nessa vibração que se ergue “Justiça Sem Limites“, um filme que abraça sem pudor o espírito dos velhos thrillers de ação e o transforma em um grito de revanche embalado por socos, chutes e códigos morais bem definidos.

Crítica: "Justiça Sem Limites" (The Island)
Crítica: “Justiça Sem Limites” (The Island)

Mark, vivido por Michael Jai White, retorna à ilha onde cresceu depois do assassinato brutal do irmão. O que poderia ser uma simples jornada de luto rapidamente se converte em um mergulho num submundo dominado por um magnata que trata pessoas como mercadorias. O roteiro entende que, nesse tipo de história, a justiça nasce muito mais do instinto do que da lei, e constrói um herói que prefere agir a esperar.

A direção de Shaun Paul Piccinino aposta em uma estética que flerta diretamente com o cinema de ação dos anos 1980 e 1990, aquele em que o corpo do protagonista é sua principal arma e a câmera sabe quando recuar para deixar o impacto falar por si. Nada aqui tenta reinventar o gênero, mas existe um respeito claro pela sua gramática, com cenas de luta filmadas de forma legível, golpes que têm peso e coreografias que valorizam a fisicalidade de White.

Michael Jai White, mesmo sem o frescor da juventude, continua sendo um dos nomes mais carismáticos do cinema de pancadaria moderna. Cada movimento seu carrega precisão, mas também uma raiva contida que dá sentido dramático aos confrontos. Mark luta como quem carrega anos de frustração acumulada, e isso torna cada embate mais do que um simples exercício de estilo.

Um dos pontos altos surge em uma briga de bar que parece saída diretamente de uma fita VHS perdida de algum clássico cult do gênero. Chutes giratórios, corpos voando e uma sensação de caos controlado transformam a sequência em uma celebração do exagero físico que definiu uma era inteira do cinema de ação. É nesses momentos que “Justiça Sem Limites” revela sua alma nostálgica, dialogando com uma tradição que passa por ícones do passado e chega até os fãs que ainda buscam esse tipo de energia bruta.

Jackson Rathbone, como o parceiro Phil, injeta uma leveza bem-vinda à trama. Seu humor funciona como contraponto ao clima pesado da narrativa e cria uma dinâmica interessante com o protagonista. O filme ganha quando permite que essa dupla respire junta, mesmo que por pouco tempo.

O longa se assume como aquilo que realmente é, um entretenimento direto, sem culpa, feito para quem sente falta de heróis que resolvem problemas com os punhos e um código de honra simples. Não se trata de uma obra que busca prestígio crítico, mas de uma experiência que entende seu público e entrega exatamente o que promete. “Justiça Sem Limites” pode não ser um marco, mas funciona como um lembrete de que o cinema de ação clássico ainda pulsa quando feito com convicção.

“Justiça Sem Limites”
Direção
: Shaun Paul Piccinino
Elenco: Michael Jai White, Edoardo Costa, Gillian White, Jackson Rathbone
Disponível em: Amazon Prime Video

⭐⭐⭐

Avaliação: 2.5 de 5.

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