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Crítica: “Kaiju No. 8: Missão de Reconhecimento” (Kaiju No. 8: Mission Recon)

A graça de “Kaiju nº 8: Missão de Reconhecimento” não está só em monstros gigantes rasgando as cidades ou nos tradicionais duelos espetaculosos do shonen moderno. O que brilha aqui é a descontração com que o anime abraça a própria tragédia. O Japão dessa história já naturalizou a presença dos Kaijus, como se fossem chuva forte ou engarrafamento na hora do rush. A cidade é destruída, a força especial aparece, limpa o estrago, mata o bicho da vez e a vida segue. Kafka, o protagonista, trabalha justamente limpando o que sobra desses ataques, mas carrega o sonho infantil de virar herói. Nada mais simbólico.

Crítica: “Kaiju No. 8: Missão de Reconhecimento” (Kaiju No. 8: Mission Recon)

O filme compila os primeiros episódios da série, apresentando o universo, os personagens centrais e algumas batalhas importantes. Funciona como uma grande porta de entrada para o mundo de Kafka e da Força de Defesa do Japão, com ritmo ágil, bastante humor e um certo cinismo no ar. A diferença aqui está no ponto de vista: o herói não é um adolescente recém-descoberto, mas um adulto frustrado, desacreditado, que parece estar fora de lugar no próprio sonho. Isso dá ao anime uma textura emocional interessante, sem precisar pesar a mão na dramaticidade.

A estética colorida, quente e convidativa equilibra bem o peso dos confrontos. Os Kaijus têm design estiloso, os personagens carregam traços exagerados e expressivos, e tudo pulsa num ritmo próprio que mescla ação intensa com uma leveza cômica muito bem-vinda. Nada soa pretensioso. O humor é bizarro na medida certa, e o carisma dos personagens, até dos coadjuvantes, é mérito da construção afetiva que a série propõe.

Há quem critique a animação, mas seria injusto medir “Kaiju nº 8” por parâmetros puramente técnicos. A força da obra está na alma que ela entrega, na forma como nos faz importar com um grupo de personagens que ainda nem foi tão longe na narrativa. A trilha sonora embala com precisão cada cena e, por mais surpreendente que seja, ter OneRepublic assinando uma das músicas não destoa em nada da proposta.

É verdade que o final parece menos impactante do que se esperava, e os riscos de vida dos protagonistas quase não existem. Mas isso também diz algo: o primeiro arco ainda é sobre montagem de mundo, construção de time, solidificação de motivações. A sensação de ameaça deve vir com o tempo, à medida que a história escurecer e os monstros deixarem de ser apenas externos.

“Kaiju nº 8: Missão de Reconhecimento” é um ótimo exemplar da nova leva de animes shonen, que tenta repaginar a própria fórmula sem abandoná-la completamente. Uma boa porta de entrada para iniciantes, uma surpresa agradável para veteranos e, acima de tudo, um anime com identidade e coragem de rir de si mesmo mesmo diante da destruição.

Kaiju nº 8: Missão de Reconhecimento
Direção: Shigeyuki Miya
Roteiro: Shigeyuki Miya, Kido Yuichiro
Elenco: Masaya Fukunishi, Wataru Kato, Asami Seto
Disponível em: Crunchyroll

Avaliação: 3.5 de 5.

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