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Crítica: “Ladrões de Ouro” (Gold Rush Gang)

Nova aposta da Netflix “Ladrões de Ouro” ambientado no final da Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha Ko-Wah Thungsong, um lendário bandido tailandês que acredita em tirar dos ricos para dar aos pobres. Sua decisão de liderar um grupo de órfãos travessos em um assalto a um trem carregado de ouro, ao mesmo tempo em que precisa lidar com antigos aliados transformados em inimigos, coloca em cena uma narrativa que tinha tudo para ser épica. O potencial da história é inegável, mas a execução compromete o impacto que poderia ter.

Crítica: “Ladrões de Ouro” (Gold Rush Gang)

A direção de Wisit Sasanatieng, reconhecido pelo uso de visuais vibrantes e humor negro, desta vez parece ter perdido o rumo. O filme mistura elementos de faroeste com drama e ação de época, mas o resultado é inconsistente. A ambientação e a cenografia são impecáveis, refletindo com precisão o período histórico, mas as cenas de ação sofrem com coreografias mal executadas, CGI barato e falhas técnicas que comprometem a verossimilhança. Personagens disparam revólveres sem nunca recarregar, balas erram alvos evidentes, e efeitos de sangue artificiais chamam atenção pelo amadorismo.

No elenco, Petchtai Wongkamlao, Thiti Mahayotaruk e Chingduang Duijkers entregam performances corretas, mas a narrativa pouco desenvolve seus personagens. O triângulo amoroso e o conflito com o oficial corrupto adicionam camadas à história, mas são tratados de forma superficial. Há momentos de humor que funcionam, provocando risos e aliviando a tensão, mas na maior parte do tempo a comédia é irregular e parece tentar mascarar a fragilidade do roteiro. O filme apresenta ideias criativas e cenas com potencial de memorabilidade, mas a direção falha em transformar essas ideias em algo coeso e impactante.

Outro ponto que chama atenção é a tentativa de incorporar tecnologia de IA para recriar imagens de atores falecidos. A iniciativa poderia ser inovadora, mas o resultado é visualmente estranho e perturbador, destoando da narrativa e reforçando a sensação de produção apressada e mal planejada. O uso da IA evidencia uma decisão técnica controversa que prejudica a experiência do espectador, ao invés de enriquecê-la.

Em essência, “Ladrões de Ouro” poderia ser um clássico cult do cinema tailandês contemporâneo, mas se perde entre boas intenções e execução falha. A história tem elementos interessantes, o pano de fundo histórico é envolvente, e algumas cenas conseguem cativar, mas a soma das falhas técnicas, direção confusa e inconsistência narrativa transformam o filme em uma experiência que diverte apenas parcialmente. É um produto que desperdiça potencial, mas ainda entrega entretenimento visualmente atraente, mesmo que de forma irregular.

“Ladrões de Ouro”
Direção: Wisit Sasanatieng
Roteiro: Weeravat Chayochaikon, Pipat Jomkoh
Elenco: Petchtai Wongkamlao, Thiti Mahayotaruk, Chingduang Duijkers
Disponível em: Netflix

Avaliação: 2.5 de 5.

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