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Crítica: Lana Del Rey, “Lust for Life”

Texto: Ygor Monroe
6 de junho de 2025
em Música, Resenhas/Críticas

Há discos que não propõem uma narrativa. Eles propõem um estado. “Lust for Life” é um desses casos raros em que o que se escuta é menos um conjunto de composições e mais um organismo emocional em mutação. A obra opera num lugar suspenso entre a contemplação, o escapismo e a fatalidade. Não existe aqui um alinhamento estrutural óbvio, e isso não é uma falha. Ao contrário: é uma escolha estética deliberada de quem já não sente a necessidade de construir com tijolos retos. Lana Del Rey segue moldando sua arquitetura de sons com névoa, memórias e colagens afetivas.

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Crítica: Lana Del Rey, "Lust for Life"
Crítica: Lana Del Rey, “Lust for Life”

Se há um ponto de partida, ele se desdobra na forma de uma reorientação de trajetória. Em “Lust for Life”, Lana começa a deslocar seu eixo narrativo da interioridade absoluta para uma tentativa, ainda que tênue, de observar o mundo à sua volta. O disco não abandona a estética do desejo melancólico nem a fixação por figuras masculinas idealizadas, mas passa a integrá-las a uma angústia menos romântica e mais existencial. É um álbum que não se contenta em repetir fórmulas emocionais, embora ainda dependa da estética como linguagem primária.

O peso político da época em que o álbum foi concebido não está em primeiro plano, mas também não é negligenciado. Ao contrário de obras que se declaram panfletárias, “Lust for Life” escolhe se posicionar pelo subtexto. Há uma atmosfera de inquietação que não grita, mas reconfigura o espaço sonoro em torno de sentimentos de transição, cansaço e desejo por mudança. E, dentro da lógica do universo de Lana, qualquer desejo por mudança é sempre filtrado pela lente do mito. O escapismo aqui não é fuga: é tática de sobrevivência simbólica.

A presença de múltiplos colaboradores ajuda a expandir o campo de ação do disco. Não se trata apenas de abrir espaço para outras vozes, mas de testar o que acontece quando o mundo de Lana colide com universos musicais distintos. A ideia de colaboração aqui não serve para validar ou contrastar, mas para tensionar. O que emerge disso é uma sonoridade mais versátil e menos claustrofóbica, que contrasta com a rigidez cinematográfica de discos anteriores como “Born to Die” ou “Ultraviolence”.

É nesse ponto que “Lust for Life” se revela, talvez, como o trabalho mais ambicioso da artista até então. Ambicioso não no sentido de grandiosidade formal, mas na tentativa de multiplicar seus próprios arquétipos. A cantora que outrora habitava personagens decadentes e apaixonadas por mitologias de morte, agora começa a testar novas versões de si mesma, sem abrir mão da melancolia como matéria-prima. A estética dos anos 60 e 70, sempre presente em seu imaginário visual, não funciona aqui como mera nostalgia, mas como linguagem emocional: um passado recriado para caber no agora.

Há momentos em que o disco parece perder o foco, esticando suas ideias além do necessário. Mas até esses excessos soam coerentes com a proposta. “Lust for Life” não busca coesão narrativa: busca sensações justapostas, camadas de percepção, movimentos de recuo e avanço emocional. É como um diário que se permite contradições, divagações e repetições. E é justamente essa liberdade de forma que dá ao álbum sua densidade particular.

Visualmente, a estética solar do projeto rompe com o visual sombrio dos álbuns anteriores, sem jamais abandonar completamente a melancolia. A capa, talvez uma das mais emblemáticas da artista, representa uma síntese entre leveza e enigma. É um sorriso que não apaga o trauma: apenas o torna mais palatável. A imagem comunica exatamente o que o álbum entrega em som: um frescor melancólico, um verão que carrega fantasmas na bagagem.

“Lust for Life” é o ponto onde Lana Del Rey abandona o mito da figura feminina destruída para experimentar a personagem da mulher que resiste. Não é uma virada abrupta. É uma transição sutil, quase imperceptível, mas profundamente significativa. Trata-se de um disco onde o romantismo não serve mais como adorno, mas como estrutura de combate. O amor não é mais o lugar de perdição, mas de reflexão. E, em vez de se entregar ao martírio, a artista se aproxima de um tipo diferente de serenidade: aquela que vem da observação do mundo sem ilusões.

É um disco que olha para trás, mas com os pés fincados no presente. Que flerta com o caos, mas busca equilíbrio. Que canta o amor, mas interroga suas formas. E talvez seja justamente por isso que ele continue tão vivo. Porque não tenta congelar uma estética ou uma ideia, mas se permite o luxo de ser ambíguo, inacabado, imperfeito. Como qualquer tentativa real de existir num tempo confuso.

Nota: 89/100

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Temas: CríticaMúsicaResenhaReview

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