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Crítica: Louis Tomlinson, “How Did I Get Here?”

Texto: Ygor Monroe
26 de janeiro de 2026
em Música, Resenhas/Críticas

O sol que atravessa este disco não vem como metáfora vazia de leveza artificial. Ele surge como escolha estética, como tentativa consciente de respirar depois de anos em que o peso emocional parecia inevitável. O que se ouve aqui é um artista tentando se reconciliar com o próprio percurso, olhando para a própria história sem dramatizar cada passo, mas também sem fingir que nada ficou pelo caminho.

Crítica: Louis Tomlinson, "How Did I Get Here?"
Crítica: Louis Tomlinson, “How Did I Get Here?”

“How Did I Get Here?” marca um ponto curioso na trajetória de Louis Tomlinson. Em vez de aprofundar o tom combativo e quase defensivo que moldou “Faith in the Future”, o cantor aposta em um disco mais ensolarado, mais aberto e deliberadamente acessível. A inspiração vinda da temporada em Santa Teresa, na Costa Rica, não aparece como conceito turístico óbvio, mas como sensação. O álbum busca fluidez, canções que soam confortáveis, fáceis de absorver e pensadas para funcionar tanto em fones de ouvido quanto em grandes plateias.

A produção, dividida entre Costa Rica, Los Angeles e Inglaterra, reflete essa intenção de equilíbrio. Guitarras com espírito britânico convivem com refrões de apelo pop imediato, enquanto a sonoridade caminha entre referências claras ao britpop e fórmulas modernas do pop de arena. O resultado é um disco que evita conflitos sonoros e prefere o caminho do consenso, algo que pode soar seguro demais para quem espera riscos mais evidentes.

“Lemonade”, o primeiro cartão de visitas do projeto, sintetiza bem essa proposta. É uma faixa leve, com refrão grudento e atmosfera despreocupada, funcionando quase como uma promessa de boas intenções. Não tenta ser profunda, nem pretende. Cumpre o papel de apresentar um álbum que quer soar agradável antes de qualquer outra coisa. A mesma lógica se repete em faixas como “On Fire”, onde sintetizadores suaves e vocais contidos reforçam uma estética confortável, ainda que pouco desafiadora.

Esse conforto constante, porém, cobra seu preço. Em vários momentos, o disco parece flertar com a superficialidade, como se tivesse receio de se comprometer emocionalmente. Canções como “Lazy” apostam em climas relaxados e melodias previsíveis, enquanto “Broken Bones” flerta com um rock pop de postura grandiosa, mas sem identidade forte o bastante para deixar marca. Existe competência técnica aqui, mas falta urgência em parte do repertório.

O cenário muda quando o álbum se permite olhar para dentro. “Palaces” surge como um dos pontos mais interessantes do disco, combinando guitarras de arena com uma letra que discute o isolamento provocado pela fama. A música ganha força justamente por quebrar a lógica do sorriso constante. É quando Louis Tomlinson se mostra mais próximo, mais humano e mais disposto a expor fragilidades. A faixa dialoga com experiências públicas do artista e traduz bem a sensação de estar cercado por pessoas e ainda assim se sentir deslocado.

Outro momento que se destaca é “Sunflowers”, que flerta com psicodelia pop e evoca referências claras ao universo de bandas como “Tame Impala”, mas sem perder a simplicidade melódica. Aqui, a leveza funciona melhor, sustentada por um gancho eficiente e uma atmosfera que convida à repetição.

O ápice emocional do disco, porém, chega em “Dark to Light”. A canção abandona o verniz ensolarado e se aproxima de um registro mais cru, quase confessional. Ao tocar em perdas pessoais profundas, Louis entrega o momento mais honesto e tocante do álbum. É uma faixa que revela o potencial de um artista capaz de muito mais quando se permite desacelerar e ir além do formato.

No conjunto, “How Did I Get Here?” soa como um disco de transição. Não é o trabalho mais ousado nem o mais intenso da carreira de Louis Tomlinson, mas revela um músico confortável com sua posição, disposto a explorar uma identidade menos defensiva e mais aberta. O problema é que, em vários momentos, essa escolha resulta em canções agradáveis demais para provocar impacto duradouro.

Ainda assim, quando o álbum acerta, fica claro que existe aqui um artista com bagagem emocional, vivência e sensibilidade suficientes para ir além do óbvio. Falta aprofundar mais vezes aquilo que aparece com tanta força em poucos momentos. O caminho está desenhado. Resta saber se, no próximo passo, Louis terá coragem de segui-lo até o fim.

Nota final: 68/100

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Temas: CríticaLouis TomlinsonMúsicaResenhaReview

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