Ícone do site Caderno Pop

Crítica: “Love Me Love Me”

Entre corredores de escola internacional, ringues clandestinos e paixões que nascem do atrito, certas histórias parecem saídas diretamente de um feed adolescente que confunde intensidade com profundidade. “Love Me Love Me” abraça essa energia impulsiva e tenta transformá-la em cinema, mas o resultado oscila entre o entretenimento despretensioso e a sensação de déjà-vu.

Crítica: “Love Me Love Me”

A trama acompanha June, que recomeça a vida em Milão após a morte do irmão. Ao seu lado está Will, o namorado perfeito, seguro, gentil, previsível. Do outro lado surge James, o melhor amigo dele, envolvido em lutas clandestinas de MMA, carregando o tipo de perigo que o roteiro insiste em vender como irresistível. É o clássico triângulo entre estabilidade e caos, embalado por olhares intensos e decisões tomadas no calor do momento.

O filme não esconde suas origens literárias nem sua vocação para o drama juvenil. A comparação com outras adaptações recentes é inevitável, especialmente com a onda de romances adolescentes que apostam em amores turbulentos como motor narrativo. A diferença é que aqui existe a assinatura de Roger Kumble, diretor que já explorou jogos de sedução e manipulação em “Cruel Intentions”. A expectativa, portanto, sobe alguns degraus. O problema é que o texto não acompanha essa ambição.

O roteiro caminha em ritmo irregular. A primeira metade se arrasta, tentando estabelecer personagens e conflitos, enquanto a reta final acelera como se tivesse consciência do tempo curto de tela. Falta transição, falta maturação, falta silêncio entre um conflito e outro. Tudo acontece rápido demais, inclusive a transformação emocional dos protagonistas.

Mia Jenkins constrói uma June carismática, com fragilidade e força na medida certa. Há momentos em que o olhar da personagem comunica mais do que os diálogos. Pepe Barroso entrega um James que cumpre o arquétipo do bad boy magnético, ainda que o desenvolvimento apressado prejudique a complexidade que poderia emergir dali. Quando os dois dividem cena, há química. E química, no cinema romântico, é meio caminho andado.

Mas o filme também carrega escolhas que enfraquecem sua própria proposta. Questões mais delicadas presentes na obra original literária, como conflitos psicológicos e temas sensíveis, são suavizadas ou simplesmente eliminadas. A decisão pode até buscar um público mais amplo, porém retira camadas que diferenciariam a narrativa de tantas outras histórias “estilo wattpad” que inundam o streaming.

Outro ponto que chama atenção é a ambientação. Milão aparece como cenário sofisticado, mas a alternância entre inglês e italiano soa artificial em vários momentos. A sensação é de um produto pensado para circular globalmente, ainda que isso custe certa organicidade cultural. O resultado é um romance que parece acontecer em qualquer lugar e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum.

Entre acertos e tropeços, há cenas que funcionam. Momentos leves dentro de um carro, pequenas brincadeiras que humanizam o casal, referências pontuais ao material original que agradam aos fãs. Personagens secundários surgem com potencial, mas são pouco explorados. Estão ali para movimentar a trama, não para habitá-la de verdade.

“Love Me Love Me” se sustenta como entretenimento juvenil para quem busca intensidade imediata, trilha pulsante e conflitos amorosos exagerados. Não reinventa o gênero, não aprofunda seus temas, mas entrega o que promete a um público específico. Para alguns, será suspiro. Para outros, mais um capítulo repetido de um romance que já foi contado muitas vezes.

“Love Me Love Me”
Direção: Roger Kumble
Elenco: Pepe Barroso, Mia Jenkins, Luca Melucci, Andrea Guo, Michelangelo Vizzini, Madior Fall, Vanessa Donghi, Elizabeth Kinnear, Tommaso Caporali, Angel De Miguel, Bruno Cabrerizo, Edoardo De Marte
Disponível em: Prime Video

Avaliação: 3 de 5.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Sair da versão mobile