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Crítica: “Luccas e Gi em: Amor de Mãe”

“Luccas e Gi em: Amor de Mãe” tenta convencer o público de que evoluiu. Que agora fala sobre temas mais sérios, que se arrisca no campo da emoção, que constrói camadas e propõe reflexões. Só que tudo isso fica na intenção. O filme quer ser importante, mas tropeça justamente onde deveria brilhar: no básico.

Crítica: “Luccas e Gi em: Amor de Mãe”

A história começa com uma lógica duvidosa: a irmã caçula é sequestrada por uma agência misteriosa que mexe com manipulação digital. A partir daí, Luccas entra numa missão de resgate, com a ajuda da mãe, para salvar a jovem Gi e resgatar o valor da família. Parece épico? É mais um amontoado de ideias mal costuradas, embaladas em luzes coloridas, trilha genérica e um verniz de modernidade que tenta mascarar a superficialidade.

Nada aqui é profundo, nem mesmo quando o roteiro grita que está sendo. O filme finge ser uma distopia emocional sobre o impacto da tecnologia nos vínculos humanos, mas tudo é tão didático, mastigado e previsível que nem as crianças mais novas vão se surpreender. A alegoria da “agência que sequestra talentos” é pobre, rasa, pouco simbólica e não tem força para sustentar o drama que o longa acha que está construindo.

A atuação de Luccas Neto continua no mesmo lugar onde ele sempre esteve: entre o caricato e o robótico. Ele até tenta imprimir alguma emoção, mas falta verdade, falta densidade, falta cinema. A Gi, que claramente tem carisma, acaba presa a um roteiro que infantiliza seus conflitos e a empurra para cenas que exigem dela mais presença dramática do que o projeto permite. Já a mãe, vivida por Vivian Duarte, até entrega alguns momentos sinceros, mas são fagulhas perdidas num mar de artificialidade.

A direção também falha em construir tensão ou sensibilidade. Tudo é marcado demais, coreografado demais, limpo demais. Falta sujeira narrativa, falta conflito real, falta coragem de sair do óbvio. Mesmo nos momentos em que a produção tenta brincar com estética geek ou tensão “à la ficção científica”, o resultado soa como paródia. E das menos inspiradas.

A trilha sonora aparece como se estivesse substituindo a emoção que não existe em cena. As músicas surgem para dizer ao público o que sentir, porque o filme em si não conseguiu transmitir. É como um empurrão emocional mal calculado, que tenta compensar um roteiro frouxo, diálogos mecânicos e uma estrutura narrativa que parece saída de um algoritmo genérico.

O que deveria ser uma celebração do afeto se transforma em um comercial disfarçado de jornada emocional. Tudo soa ensaiado, programado, previsível. Do início ao fim, o que vemos é uma fórmula reciclada, tentando parecer nova com pitadas de crítica social rala e um discurso moral que se esvazia logo após os créditos.

Ainda que a proposta de evoluir o conteúdo de Luccas Neto seja válida, o caminho escolhido por “Amor de Mãe” é equivocado. Não basta adicionar um tom mais escuro na fotografia e um sequestro na trama para criar densidade. Faltam camadas reais, faltam decisões narrativas ousadas, falta risco. No fim, o longa tenta parecer algo que nunca consegue ser: cinema de verdade.

“Luccas e Gi em: Amor de Mãe
Dirigido por Bruno Bennec
Com Luccas Neto, Giovanna Alparone, Vivian Duarte
Disponível na Netflix a partir de 11 de julho

Avaliação: 1 de 5.

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