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Crítica: Mac DeMarco, “Guitar”

Mac DeMarco lança seu sexto álbum de estúdio, “Guitar“, e deixa claro que seu estilo minimalista continua sendo tanto sua marca quanto seu dilema. Gravado em novembro de 2024 em seu estúdio caseiro em Los Angeles, o disco apresenta 12 faixas que mergulham em envelhecimento, arrependimentos e relações partidas, mas com arranjos que raramente saem da contenção.

Crítica: Mac DeMarco, “Guitar”

Desde “This Old Dog”, de 2017, a simplicidade foi o motor da intimidade em sua obra. Já em “Here Comes the Cowboy”, de 2019, essa mesma estética começou a sinalizar repetição. Em “Guitar”, essa tensão se acentua: o álbum retoma o lirismo confessional que fez de Mac um nome singular, mas ao mesmo tempo parece preso em uma quietude que beira a estagnação.

O disco abre com “Shining”, uma faixa que evoca o frescor dos primeiros trabalhos, mesclando falsete delicado e melodia marcada pela nostalgia. “Sweeter” reforça essa atmosfera melancólica, mas já expõe um paradoxo central: versos esperançosos colidem com resignação, deixando a música suspensa entre promessa e frustração. Ao longo da audição, a repetição de texturas lo-fi e batidas discretas cria intimidade, mas também uma sensação de uniformidade que desgasta.

Há momentos em que a fórmula respira. “Rock and Roll” consegue transformar a contenção em algo expansivo, explorando a tensão até desaguar em um desfecho catártico. Já “Phantom” e “Nightmare”, embora carreguem o peso emocional esperado, se perdem em um clima de desolação que pouco se distingue de outras faixas. A fragilidade é honesta, mas o excesso de modéstia sonora reduz o impacto das confissões.

“Guitar” é, portanto, um álbum que oscila entre potência e inércia. Mac DeMarco soa genuíno ao expor sua vulnerabilidade, mas parece ainda preso ao mesmo molde que vem explorando desde “This Old Dog”. O resultado é um trabalho que emociona em lampejos, mas que não consegue sustentar o fôlego. É um retrato cru de um artista disposto a se despir, mas que talvez precise de novos caminhos para que sua música volte a surpreender.

Nota: 51/100 | Mac DeMarco, “Guitar”

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