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Crítica: “Made in Korea”

Certos sonhos começam pequenos, quase silenciosos, como um poster na parede de um quarto ou uma música estrangeira tocando no fone de ouvido durante uma tarde comum. O fascínio por outra cultura pode nascer assim, como uma curiosidade distante que lentamente vira destino. É nesse espaço entre imaginação e realidade que “Made in Korea” constrói sua narrativa.

Crítica: “Made in Korea”

A história acompanha Shenba, uma jovem indiana que cresceu nutrindo uma obsessão muito específica. A Coreia do Sul sempre ocupou um lugar especial em sua imaginação. A cultura, as paisagens urbanas, o imaginário pop e a promessa de uma vida diferente alimentaram durante anos esse desejo quase infantil de atravessar o mundo.

Shenba parte de uma pequena cidade em Tamil Nadu para viver aquilo que parecia distante demais para se tornar real. Ao lado do namorado, ela chega a Seul carregando expectativas moldadas por imagens idealizadas. O choque inevitável aparece quando o sonho encontra a realidade.

A cidade que parecia vibrante à distância também pode ser fria para quem chega de fora. O idioma cria barreiras, os costumes exigem adaptação e a solidão começa a ocupar espaços que antes eram preenchidos por entusiasmo.

“Made in Korea” prefere contar essa jornada com delicadeza. Em vez de apostar em grandes conflitos ou reviravoltas dramáticas, o filme aposta na atmosfera. O ritmo é sereno, quase contemplativo, acompanhando a protagonista enquanto ela tenta encontrar seu lugar naquele novo ambiente.

A narrativa funciona como um retrato sobre deslocamento cultural e crescimento pessoal. Shenba começa a perceber que viver um sonho exige mais do que simplesmente chegar ao destino. É preciso se reinventar dentro dele.

Priyanka Arulmohan conduz a personagem com naturalidade. Sua atuação encontra força na simplicidade dos gestos e nas pequenas mudanças emocionais que surgem ao longo da jornada. Shenba começa a história como alguém movida por idealização, mas gradualmente se transforma em uma mulher mais consciente de si mesma.

O filme também observa com cuidado as diferenças culturais que surgem nesse encontro entre Índia e Coreia do Sul. Pequenos detalhes do cotidiano ganham importância narrativa. A comida, os hábitos sociais, a forma como as pessoas se relacionam em público. Essas diferenças ajudam a construir um retrato sensível do que significa tentar pertencer a um lugar completamente novo.

Visualmente, o longa aposta em uma abordagem simples, mas eficaz. As ruas de Seul aparecem como um cenário vivo que alterna momentos de encanto e estranhamento. Em alguns momentos, a cidade parece acolhedora. Em outros, transmite uma sensação de distância que reforça o isolamento da protagonista.

O roteiro de Ra Karthik escolhe um caminho consciente ao evitar excessos melodramáticos. O filme prefere observar as pequenas mudanças internas da personagem em vez de construir grandes explosões emocionais. Essa decisão pode tornar a narrativa mais tranquila do que alguns espectadores esperam, mas também mantém a coerência com a proposta da história.

“Made in Korea” funciona melhor quando abraça sua simplicidade. A trama não tenta reinventar o gênero do drama romântico ou criar reviravoltas espetaculares. O foco está na experiência de alguém que decide sair de sua zona de conforto para descobrir quem realmente é.

Existe também uma camada curiosa na forma como o filme dialoga com o fascínio global pela cultura coreana. Séries, música pop, moda e cinema criaram ao longo dos últimos anos um imaginário poderoso em torno do país. A jornada de Shenba ecoa essa curiosidade coletiva, transformando o desejo de conhecer a Coreia em um ponto de partida para falar sobre identidade.

Ao longo da história, novas amizades surgem, laços inesperados aparecem e a protagonista começa a construir um espaço próprio dentro daquela realidade estrangeira. A viagem que começou como um sonho turístico lentamente se transforma em um processo de autodescoberta.

“Made in Korea” não pretende ser um grande épico emocional. O filme prefere caminhar com leveza, como uma carta simples enviada de um lugar distante. O resultado é uma experiência confortável, que encontra beleza em pequenas transformações pessoais.

“Made in Korea”
Direção
: Ra Karthik
Elenco: Priyanka Arulmohan, Rishikanth, Hye-jin Park
Disponível em: Netflix

Avaliação: 3 de 5.

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