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Crítica: “Me Conte Mentiras” (Tell Me Lies) – terceira temporada

Texto: Ygor Monroe
14 de janeiro de 2026
em Disney+, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

Algumas histórias parecem sugar o ar de um ambiente inteiro. Quando a terceira temporada de “Me Conte Mentiras” começa, o que se sente é justamente isso. Um clima denso, quase pegajoso, paira sobre cada personagem como se o passado tivesse aprendido a se manifestar fisicamente. A série retorna ao ponto mais delicado possível, um casamento prestes a acontecer, e decide usar esse ritual de felicidade pública como palco para desmontar, com crueldade cirúrgica, tudo o que essas pessoas tentaram esconder de si mesmas ao longo dos anos.

Crítica: "Me Conte Mentiras" (Tell Me Lies) - terceira temporada
Crítica: “Me Conte Mentiras” (Tell Me Lies) – terceira temporada

A volta de Lucy Albright e Stephen DeMarco ao centro da narrativa serve como um lembrete incômodo de que certas relações funcionam como vícios. Mesmo quando há promessas de recomeço, o roteiro deixa claro que aquilo que foi construído em cima de mentiras jamais se sustenta por muito tempo. A temporada costura duas linhas do tempo, 2009 e 2015, criando um jogo perverso de causa e consequência. Cada cena no passado se transforma em uma bomba-relógio no presente, e cada sorriso no casamento de Bree e Evan carrega uma rachadura que o espectador aprende a reconhecer.

Esse vai e vem entre épocas dá à série uma espinha dorsal poderosa. Em vez de usar o recurso como truque narrativo, “Me Conte Mentiras” o transforma em linguagem. Ver os personagens jovens, inseguros e moldando versões frágeis de si mesmos em 2009 torna ainda mais doloroso observar quem eles se tornaram seis anos depois. É como se a série estivesse sempre perguntando até que ponto uma escolha mal resolvida pode reescrever uma vida inteira. A cada segredo revelado no campus de Baird, a cerimônia de casamento em 2015 vai ficando mais tensa, quase sufocante.

Há ecos de “Segundas Intenções” nessa dinâmica de jogos emocionais, onde todos usam todos como peças de um tabuleiro invisível, e também uma lembrança constante da estrutura de “Cruel Summer”, com seus saltos temporais que transformam verdades em algo maleável. Ainda assim, a série encontra uma identidade própria ao mergulhar de cabeça na intimidade tóxica de Lucy e Stephen. O relacionamento dos dois deixa de ser um romance conturbado e passa a operar como uma espécie de experimento social sobre dependência emocional, poder e autoengano.

Stephen, em especial, continua sendo um dos personagens mais perturbadores da televisão recente. A atuação de Jackson White constrói um homem que nunca precisa levantar a voz para dominar uma sala. Basta um olhar torto ou uma palavra no momento exato para que tudo ao redor desmorone. Lucy, vivida por Grace Van Patten, carrega o peso de quem sabe que está presa a algo destrutivo e, mesmo assim, insiste em chamar aquilo de amor. A temporada brinca com essa contradição o tempo inteiro, criando uma tensão que raramente se dissipa.

Ao redor deles, os coadjuvantes ganham camadas que enriquecem o caos. Bree carrega segredos que prometem reescrever tudo o que o público pensa saber sobre ela. Pippa e Diana surgem como um contraponto curioso, uma relação que nasce do atrito e cresce em silêncio, sugerindo que até nos ambientes mais tóxicos pode surgir algo que pareça sincero. Já a sombra do professor Oliver continua pairando sobre Bree, provando que certos vínculos atravessam o tempo como uma cicatriz que se recusa a fechar.

A terceira temporada também aprofunda um dos temas mais incômodos da série. O modo como o sexo vira ferramenta de manipulação, moeda de troca e até arma emocional. Nada aqui soa gratuito, mas tudo é desconfortável. O espectador percebe que cada aproximação física carrega uma intenção oculta, um desejo de controle, de validação ou de vingança. É um retrato cruel de juventudes que aprenderam a confundir intensidade com afeto.

Mesmo quando causa repulsa, a série se revela hipnótica. “Me Conte Mentiras” entende que personagens desagradáveis costumam ser os mais fascinantes quando bem escritos. Cada episódio abre novas fissuras, novas mentiras, novas traições que se encaixam como peças de um quebra-cabeça emocionalmente exaustivo. A sensação é a de observar um acidente em câmera lenta, sabendo que o impacto será devastador, mas sem conseguir desviar o olhar.

Quando Bree caminha pelo corredor rumo ao altar em 2015, o silêncio ao redor diz mais do que qualquer diálogo. Stephen se remexe, Lucy observa, Pippa parece conter um sorriso que mistura nervosismo e expectativa. É o retrato perfeito do que a série se tornou. Um ritual de felicidade encenado por pessoas que carregam tempestades por dentro. E a temporada deixa claro que, sob aquelas flores e votos, há mentiras suficientes para afundar todos eles.

“Me Conte Mentiras”
Direção: Tyne Rafaeli
Elenco: Grace Van Patten, Jackson White, Cat Missal, Branden Cook, Sonia Mena, Alicia Crowder, Tom Ellis
Disponível em: Disney +

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

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Temas: Alicia CrowderBranden CookCat MissalCríticaGrace Van PattenJackson WhiteResenhaReviewSonia MenaTom Ellis

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