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Crítica: “Metas de Relacionamento” (Relationship Goals)

Ambição profissional, ex que reaparece com discurso renovado e um livro de autoajuda prometendo fórmulas mágicas para o amor. “Metas de Relacionamento” parte de um terreno conhecido das comédias românticas, mas escolhe um caminho que mistura disputa corporativa, romance reacendido e uma dose inesperada de pregação motivacional.

Crítica: “Metas de Relacionamento” (Relationship Goals)

Leah Caldwell, interpretada por Kelly Rowland, é produtora de um programa matinal em Nova York e está pronta para assumir o comando quando o chefe anuncia aposentadoria. O problema não é falta de competência. É o velho roteiro que insiste em colocar um homem como opção “mais segura” para o cargo. Surge então Jarrett Roy, vivido por Method Man, ex-namorado da protagonista e agora convertido em versão atualizada de si mesmo após a leitura de um best seller sobre relacionamentos.

A premissa poderia render um embate afiado sobre machismo estrutural no mercado de trabalho e segundas chances no amor. O conflito entre ambição e sentimento tem potência dramática, ainda mais quando envolve duas pessoas com passado mal resolvido. No entanto, o filme parece menos interessado em desenvolver essa tensão e mais empenhado em vender a ideia de transformação pessoal embalado por conselhos de autoajuda.

Em vários momentos, a narrativa soa como vitrine para um manual de relacionamento que promete respostas simples para questões complexas. As amigas de Leah passam a consumir o livro como se fosse um guia definitivo para felicidade afetiva, enquanto Jarrett incorpora o discurso quase como estratégia de marketing. A sensação é de estar assistindo a um infomercial disfarçado de comédia romântica.

O humor raramente encontra ritmo. As situações que deveriam provocar risadas ficam presas a diálogos previsíveis e conflitos resolvidos com facilidade excessiva. O romance também não alcança a leveza esperada do gênero. Falta química em cenas que pedem espontaneidade. Falta ironia em momentos que pedem autocrítica.

Kelly Rowland entrega presença e elegância à protagonista, sustentando a personagem mesmo quando o roteiro a coloca em situações pouco inspiradas. Method Man tenta equilibrar charme e arrependimento, mas o arco de redenção parece rápido demais para convencer plenamente. Matt Walsh cumpre seu papel dentro do ambiente corporativo, ainda que o universo da emissora não seja explorado com profundidade.

Outro ponto que chama atenção é o tom moralizante que atravessa a narrativa. O discurso sobre “melhorar para merecer amor” flerta com uma simplificação perigosa. Em vez de celebrar escolhas individuais e trajetórias diversas, o filme sugere que felicidade depende de adequação a um modelo específico de relacionamento. Em pleno 2025, reduzir o debate afetivo a regras prontas soa datado.

“Metas de Relacionamento” tenta dialogar com um público que consome romances leves no streaming, mas acaba se perdendo entre marketing, mensagem religiosa implícita e uma história que poderia ter sido mais ácida e contemporânea. A disputa pelo cargo de chefia tinha potencial para render uma crítica social mais contundente. O reencontro amoroso poderia explorar vulnerabilidades reais. Nada disso é aprofundado.

“Metas de Relacionamento”
Direção
: Linda Mendoza
Elenco: Kelly Rowland, Method Man, Matt Walsh
Disponível em: Prime Video

Avaliação: 2 de 5.

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