Alguns filmes nascem com vocação para serem esquecidos e, ainda assim, encontram uma sequência. “Missão Resgate: Vingança” é um exemplo claro desse fenômeno. O longa tenta dar continuidade ao universo apresentado em “Missão Resgate”, mas o que se vê aqui é uma obra que, mesmo apostando em Liam Neeson como protagonista, carece de impacto, identidade e uma justificativa convincente para existir. O resultado é uma produção que se apoia na ação como artifício, sem nunca construir a tensão ou o senso de urgência que uma trama como essa exige.
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A história segue Mike McCann (Liam Neeson), caminhoneiro marcado pelo luto que decide levar as cinzas do irmão para o Nepal, cumprindo seu último desejo. A promessa de um momento íntimo de despedida se transforma em uma corrida pela sobrevivência quando ele se envolve, por acaso, em uma conspiração armada envolvendo mercenários e comunidades locais. O longa tenta adicionar profundidade emocional ao personagem central, mas tropeça ao equilibrar drama pessoal e narrativa de ação. A condução do roteiro parece fragmentada, como se cada cena existisse de forma isolada, sem uma costura que desse peso ao arco dramático.
Jonathan Hensleigh, conhecido por entregar ação direta ao ponto, aposta em um estilo que tenta ser cru, mas esbarra em soluções previsíveis. O filme, filmado em boa parte na Austrália, tenta se passar pelo Nepal sem convencer, o que resulta em uma ambientação artificial, prejudicando a imersão. A trilha sonora pouco contribui para a construção da atmosfera de perigo, funcionando como mero acompanhamento. A montagem também falha em manter o ritmo, com uma narrativa que parece se arrastar mesmo em cenas que deveriam ser eletrizantes.
O problema maior, no entanto, está na construção das sequências de ação. O título sugere uma história movida pela adrenalina e pelo perigo iminente das estradas congeladas, mas o que se vê são cenas sem impacto visual, com efeitos pouco inspirados e coreografias de luta genéricas. A tensão, que deveria ser o fio condutor, raramente se estabelece, tornando a experiência previsível.
Liam Neeson, ator que já foi sinônimo de filmes de ação sólidos, aqui parece preso a um papel que pouco exige de seu talento. Sua presença ainda é magnética, mas a falta de um roteiro consistente o coloca em uma posição quase automática, como se interpretasse uma versão diluída de personagens que já viveu inúmeras vezes. Bingbing Fan, por sua vez, não encontra espaço para brilhar, sendo subutilizada em uma trama que não explora sua complexidade como atriz.
É curioso observar como a proposta do longa não consegue justificar sua própria existência enquanto sequência. Enquanto o filme original, mesmo sem grandes méritos, tinha uma premissa clara e explorava o cenário gelado como elemento narrativo, “Missão Resgate: Vingança” é uma tentativa de capitalizar em cima de um conceito sem entender o que tornou o primeiro minimamente interessante. A sensação é de que a narrativa foi construída em piloto automático, sem cuidado estético ou dramaturgia consistente.
A fotografia aposta em uma paleta fria, mas sem personalidade, e a ausência de uma direção de arte marcante torna os cenários indistintos. O design sonoro tampouco adiciona tensão, deixando a experiência menos imersiva do que deveria ser. Para um longa de ação, essas falhas técnicas se tornam ainda mais evidentes, já que o gênero depende do dinamismo audiovisual para prender o espectador.
“Missão Resgate: Vingança” não é um desastre absoluto, mas carrega uma frustração inevitável: a de perceber que poderia ter sido uma jornada emocional e física intensa, mas preferiu o caminho da repetição e do lugar-comum. Filmes de ação funcionam quando existe uma combinação entre espetáculo e autenticidade, algo que falta aqui. O resultado é uma obra que, apesar de seu elenco estrelado, dificilmente ficará na memória do público.
“Missão Resgate: Vingança”
Direção: Jonathan Hensleigh
Elenco: Liam Neeson, Bingbing Fan, Marcus Thomas
Disponível em: Prime Video
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