Entre mensagens não respondidas, olhares que prometem mais do que entregam e aquela confusão típica da adolescência, nasce uma tentativa de romance que acredita que dividir o mesmo teto automaticamente cria intimidade. O problema é que sentimentos não obedecem a roteiros apressados, e isso pesa em “Morando com o Crush” desde o primeiro minuto.

A ideia central carrega um potencial evidente. Dois adolescentes que mantêm uma amizade atravessada por desejo e acabam obrigados a conviver diariamente depois que seus pais se envolvem romanticamente poderia render conflitos, tensão e descobertas genuínas. O que o filme entrega, porém, é uma sucessão de situações que parecem correr contra o próprio tempo, sempre resolvidas rápido demais para deixar qualquer emoção criar raiz.
Giulia Benite e Vitor Figueiredo até tentam dar vida aos protagonistas, mas o roteiro oferece tão pouco espaço para desenvolvimento que a química entre eles se perde em diálogos rasos e cenas que parecem cumprir tabela. O romance, que deveria ser o coração da narrativa, nunca encontra um pulso verdadeiro. Tudo acontece sem consequências, como se cada conflito fosse um obstáculo descartável em vez de uma oportunidade dramática.
Os personagens ao redor também sofrem com essa falta de cuidado. Amigos, interesses amorosos paralelos e até a trama de fingir ser irmãos para entrar na escola surgem como ideias que prometem alguma complexidade, mas desaparecem antes de ganhar peso. O filme age como se bastasse lançar conceitos no ar sem se comprometer em explorá-los, o que gera uma sensação constante de superficialidade.
Mesmo dentro do universo teen, onde exageros e simplificações fazem parte do jogo, existe uma expectativa mínima de envolvimento emocional. Aqui, porém, as discussões entre o casal mal chegam a existir, e quando surgem são resolvidas de forma tão automática que anulam qualquer impacto. Falta risco, falta vulnerabilidade, falta aquele desconforto que faz o público acreditar que algo realmente está em jogo.
O mais frustrante é perceber que a base da história tinha tudo para funcionar. Com um roteiro mais lapidado, talvez até em formato de série, o cotidiano desses dois jovens poderia ganhar camadas, tempo para respirar e conflitos que refletissem melhor a bagunça emocional da idade. O que sobra em “Morando com o Crush” é uma sensação de oportunidade desperdiçada, um projeto que passa pela tela sem deixar marcas.
“Morando com o Crush”
Direção: Hsu Chien
Elenco: Giulia Benite, Vitor Figueiredo, Marcos Pasquim
Disponível em: Paramount+
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