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Crítica: “MR-9: Missão Mortal” (MR-9: Do Or Die)

Texto: Ygor Monroe
23 de fevereiro de 2026
em Amazon Prime Video, Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas, Streaming

Explosões digitais, espionagem internacional e aquela promessa irresistível de adrenalina global sempre carregam um fascínio automático. O cinema de ação construiu sua própria mitologia ao longo das décadas, desde o charme elegante de “007 Contra o Satânico Dr. No” até o caos estilizado de “Missão: Impossível”. Dentro desse território dominado por agentes carismáticos e conspirações gigantescas surge “MR-9: Missão Mortal”, tentando apresentar ao público mundial um herói que, em teoria, deveria funcionar como a resposta de Bangladesh ao arquétipo criado por James Bond.

Crítica: "MR-9: Missão Mortal" (MR-9: Do Or Die)
Crítica: “MR-9: Missão Mortal” (MR-9: Do Or Die)

A ideia é forte. Um agente de elite do BCI se une a um representante da CIA para desmontar um esquema internacional envolvendo armas tecnológicas, terrorismo e bilionários corruptos. O conceito carrega todos os ingredientes clássicos do gênero, incluindo identidades secretas, alianças improváveis e uma ameaça global pronta para explodir a qualquer momento. O problema começa quando a execução nunca acompanha a ambição.

Logo nas primeiras sequências, o filme tenta construir Masud Rana como um superespião moderno. Introduzido em meio a armas pesadas e operações internacionais, o personagem deveria transmitir perigo e precisão. Em vez disso, a narrativa acelera acontecimentos sem estabelecer peso dramático, criando saltos geográficos e narrativos que parecem desconectados entre si. Um confronto surge antes mesmo de existir tensão suficiente para justificá-lo.

A direção de Asif Akbar aposta em enquadramentos fechados e cortes rápidos, estratégias comuns em produções de orçamento limitado que buscam esconder limitações técnicas. O resultado, porém, acaba evidenciando exatamente aquilo que tenta disfarçar. Cenários vazios, fundos digitais inconsistentes e perseguições que denunciam o uso intenso de chroma key quebram a imersão com frequência.

O cinema de ação vive de ilusão convincente. Quando o espectador percebe o truque, a fantasia perde força.

As cenas de luta, elemento essencial para qualquer thriller de espionagem, raramente alcançam impacto. A coreografia parece hesitante, sem fluidez física ou senso de perigo real. Existe uma sensação constante de ensaio inacabado, como se cada confronto estivesse a poucos ajustes de funcionar melhor. Em um gênero acostumado à precisão brutal de franquias como “John Wick”, a comparação se torna inevitável e desfavorável.

Nem mesmo a presença de nomes conhecidos como Frank Grillo e Michael Jai White consegue elevar o material. Ambos demonstram profissionalismo, mas parecem presos a diálogos expositivos e situações dramáticas que raramente permitem construção de personagem. O talento do elenco surge limitado por um roteiro que prioriza quantidade de acontecimentos em vez de desenvolvimento narrativo.

Outro ponto que chama atenção é o excesso de efeitos visuais artificiais. Lens flares aparecem em abundância quase paródica, lembrando a estética popularizada por J. J. Abrams, porém sem o mesmo controle visual. O resultado oscila entre tentativa estilizada e distração involuntária.

Existe um universo interessante por trás da proposta. A franquia literária que originou Masud Rana possui décadas de história e relevância cultural regional. A adaptação cinematográfica poderia apresentar ao mundo um novo ícone da espionagem internacional, ampliando horizontes além do eixo Hollywood Europa. Essa ambição permanece visível, mas o filme parece constantemente lutar contra suas próprias limitações estruturais.

O maior obstáculo talvez esteja no ritmo. Com duração extensa, a narrativa se arrasta em longos trechos expositivos que drenam a urgência da missão central. Um corte mais enxuto poderia transformar a experiência em algo próximo do entretenimento involuntariamente divertido. Do jeito que está, o filme oscila entre momentos de ação dispersa e pausas que quebram completamente o envolvimento do público.

Ainda assim, “MR-9: Missão Mortal” revela algo curioso sobre o cinema global. Existe um desejo crescente de criar heróis locais com alcance internacional, expandindo o gênero de espionagem para novas culturas e perspectivas. A iniciativa merece reconhecimento, mesmo quando o resultado final permanece irregular.

Entre boas intenções e execução problemática, o longa acaba funcionando mais como experimento do que como franquia consolidada. O potencial do personagem continua ali, esperando uma abordagem futura que compreenda melhor aquilo que tornou os grandes espiões do cinema inesquecíveis: carisma, ritmo e identidade visual sólida.

“MR-9: Missão Mortal”
Direção
: Asif Akbar
Roteiro: Asif Akbar, Abdul Aziz II
Elenco: Frank Grillo, Michael Jai White, Kelly Greyson
Disponível em: Amazon Prime Video

⭐

Avaliação: 1 de 5.

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Temas: CríticaFrank GrilloMichael Jai WhiteResenhaReview

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