O barulho dos tiros chega primeiro, seco, metálico, quase como um aviso de que ninguém ali vai sair inteiro daquela paisagem hostil. Em meio a florestas que escondem tanto perigo quanto silêncio, a narrativa se organiza como um jogo de sobrevivência em que confiança vira moeda rara e cada decisão pode custar tudo. O que começa como uma caça se transforma em um retrato de personagens quebrados tentando recuperar algum tipo de controle sobre a própria vida.

Em “Na Mira dos Mercenários”, o ponto de partida gira em torno de uma fortuna perdida em um acidente aéreo, 100 milhões de dólares que se tornam o gatilho para uma sucessão de traições, perseguições e confrontos armados. Terroristas, cartéis e mercenários orbitam esse dinheiro como predadores em volta de uma presa ferida. No meio desse caos surgem dois caçadores que, por azar e insistência, se veem arrastados para um conflito que jamais escolheram.
O roteiro aposta em uma inversão quase irônica de papéis. Quem começa caçando vira alvo, quem deveria fugir decide atacar. Essa dança de posições constrói a espinha dorsal do suspense e mantém o filme em movimento constante. O verdadeiro interesse, porém, mora no vínculo entre os protagonistas, um homem marcado pelo desgaste do tempo e uma mulher mais jovem que encontra nele tanto um aliado quanto um espelho emocional.
Essa relação oferece ao filme uma camada que vai além da troca de tiros. Entre uma emboscada e outra, surge um diálogo sobre perdas, culpa e a tentativa de se reconstruir quando tudo parece ruir. Essa dinâmica lembra certos filmes de ação dos anos 1990, quando o gênero ainda permitia momentos de intimidade no meio do caos, algo que dialoga com a tradição de produções que equilibravam brutalidade e vulnerabilidade.
A direção de Ari Novak abraça uma estética direta ao ponto, sem rodeios, focada em manter a narrativa avançando mesmo quando o orçamento ou as atuações apresentam limitações. A ação cumpre seu papel com cenas de confronto que funcionam como válvulas de escape para a tensão acumulada. Alguns cortes bruscos e atuações irregulares deixam claro que se trata de um produto pensado para o mercado de entretenimento rápido, mas isso nunca impede o filme de encontrar seus momentos de impacto.
Rib Hillis e Rachel Leigh Cook formam uma dupla que sustenta o coração do longa. Existe uma química curiosa entre eles, uma sensação de duas pessoas que carregam bagagens demais e encontram, naquele cenário improvável, uma chance de se compreender. Mesmo quando o roteiro tropeça, essa conexão impede que a experiência se torne descartável.
“Na Mira dos Mercenários” talvez jamais busque reinventar o cinema de ação, mas entende muito bem o que promete entregar. Tiros, perseguições, vilões implacáveis e um arco emocional que segura o espectador até o fim. Para quem entra nessa história como quem abre uma cerveja e se prepara para uma noite de adrenalina, o resultado oferece exatamente esse tipo de fuga.
“Na Mira dos Mercenários”
Direção: Ari Novak
Elenco: Rib Hillis, Ari Novak, J.D. Hoppe, Jeff Medley, Rachel Leigh Cook, Todd Gordon
Disponível em: Amazon Prime Video para aluguel
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