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Crítica: “O Agente Noturno” (The Night Agent) – terceira temporada

Algumas séries nascem como entretenimento rápido, quase um combo de pipoca e cliffhanger. Outras demoram a entender o próprio potencial. “O Agente Noturno” chega à terceira temporada com a sensação de que finalmente entendeu o jogo que quer jogar. O que antes era um thriller eficiente e exagerado agora assume uma ambição mais madura, ainda explosiva, porém dramaticamente mais consciente.

Crítica: “O Agente Noturno” (The Night Agent) – terceira temporada

Inspirada no romance de Matthew Quirk, a produção da Netflix sempre apostou na lógica do telefone que toca e muda o destino do mundo. Peter Sutherland, agente do FBI relegado a atender chamadas de emergência na Casa Branca, volta ao centro de uma conspiração que mistura espionagem, interesses bilionários e lealdades turvas. A diferença agora está no tratamento. A terceira temporada troca o espetáculo vazio por tensão com propósito.

Se o primeiro ano era puro impulso e o segundo parecia repetir fórmulas, o terceiro corrige a rota. O roteiro ganha musculatura. As alianças ficam menos óbvias. A moralidade se torna cinzenta. Existe um episódio estruturado em flashback que redefine percepções sobre personagens centrais, revelando que cada decisão tem raízes mais profundas do que aparentava. A série cresce quando decide complicar o próprio herói.

Gabriel Basso sustenta Peter com uma energia que mistura rigidez e vulnerabilidade. Ele nunca foi um superagente à la Tom Cruise em “Missão: Impossível” ou um ícone estilizado como Keanu Reeves em “John Wick”. E isso é uma virtude. Peter é eficiente, mas falho. Determinado, porém emocionalmente isolado. A temporada investe tempo em mostrar o homem por trás da arma. O dever virou escudo contra o próprio trauma.

A ausência de Rose, personagem de Luciane Buchanan, altera a dinâmica romântica da série. Em seu lugar surge Isabel, jornalista interpretada por Genesis Rodriguez, que investiga a mesma conspiração sob outra perspectiva. A conexão entre eles não é mero recurso estético. Ela tensiona a narrativa ao colocar duas metodologias distintas frente a frente. Informação oficial contra investigação independente. Confiança contra suspeita.

O elenco de apoio eleva o material. Fola Evans-Akingbola retorna como Chelsea com postura ainda mais estratégica. Louis Herthum reaparece como o bilionário Jacob Monroe, figura que opera nos bastidores com frieza calculada. Stephen Moyer surge como um antagonista letal que prefere silêncio a discursos grandiosos. A temporada entende que vilões eficientes não precisam gritar para serem ameaçadores.

As sequências de ação continuam coreografadas com intensidade, incluindo perseguições automobilísticas e confrontos em armazéns que mantêm o ritmo acelerado. Ainda existem momentos coreográficos excessivamente ensaiados, mas o conjunto demonstra maior polimento técnico. A direção coletiva imprime identidade visual mais coesa, com fotografia que privilegia sombras e ambientes institucionais frios.

O maior avanço está na construção psicológica. Peter deixa de ser apenas o agente que corre contra o tempo. Ele se torna alguém que precisa confrontar a própria herança familiar e entender por que insiste em carregar o peso do mundo nas costas. A série troca o piloto automático pela autorreflexão.

A terceira temporada transforma o que era visto como prazer culposo em produto mais robusto dentro do gênero. Continua acessível, continua dinâmica, mas demonstra maturidade narrativa. O telefone ainda toca. A diferença é que agora cada chamada parece ecoar dentro do protagonista.

Quando ação e desenvolvimento caminham juntos, o entretenimento ganha densidade. E essa talvez seja a maior vitória da nova fase.

“O Agente Noturno”
Direção
: Adam Arkin, Guy Ferland, Hiromi Kamata, Paris Barclay, Millicent Shelton, Ramaa Mosley
Elenco: Gabriel Basso, Brittany Snow, Luciane Buchanan, Fola Evans-Akingbola, Louis Herthum, Stephen Moyer
Disponível em: Netflix

Avaliação: 4 de 5.

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