Filmes de tubarão sempre carregaram um pacto implícito com o público: a promessa de tensão constante, a expectativa de um predador colossal pronto para atacar a qualquer momento e, claro, uma boa dose de espetáculo. “O Demônio dos Mares”, dirigido por Adrian Grunberg, prefere nadar em águas mais calmas, ainda que carregadas de intenções. A produção tenta se afastar do estigma dos blockbusters rasos ao propor um discurso ambientalista, mas se perde entre uma narrativa arrastada e a ausência de impacto visual, oferecendo uma experiência que pouco satisfaz fãs de terror, suspense ou mesmo de dramas com profundidade emocional.
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O problema central de “O Demônio dos Mares” está na incapacidade de construir tensão. A trama acompanha Paul Sturges, vivido por Josh Lucas, um inspetor de uma grande empresa petroleira que leva a família para o México, onde se depara com uma plataforma abandonada e um megalodonte mítico que ronda a região. O conceito, que mistura crítica ao descaso corporativo com lendas locais, tinha potencial para ser uma narrativa envolvente, mas esbarra em um roteiro que opta por diálogos expositivos e cenas excessivamente estáticas. O resultado é uma atmosfera sem ritmo, onde o espectador espera por um clímax que nunca chega.
Curiosamente, a escolha por explorar temas como ganância corporativa e destruição ambiental não é ruim em si. Existe uma camada de comentário social interessante, reforçada pelo mito mexicano de El Demonio Negro, que dá ao tubarão um caráter sobrenatural, mais próximo de um espírito vingador do que de uma criatura selvagem. Essa abordagem poderia enriquecer o filme, mas a execução falha em conciliar o discurso com a essência de um thriller. A criatura, que deveria ser o coração do terror, mal aparece em cena, transformando o filme em uma metáfora diluída, sem a intensidade que o marketing prometia.
Visualmente, a produção tenta compensar o baixo orçamento com uma fotografia ofuscante e granulada, que busca reforçar a sensação de perigo constante. Há momentos interessantes, como o uso de planos fechados que exploram a claustrofobia da plataforma, mas a insistência em ângulos distorcidos e a escassez de cenas memoráveis com o tubarão criam um efeito contrário: o filme parece menor do que sua própria premissa.
Josh Lucas até entrega uma performance intensa, encontrando nuances no drama de seu personagem, mas enfrenta diálogos pouco inspirados e uma direção que prioriza a exposição excessiva de informações. O elenco de apoio, com Fernanda Urrejola e Raúl Méndez, dá dignidade aos papéis, mas não tem material suficiente para construir personagens memoráveis.
Apesar das falhas, “O Demônio dos Mares” tem uma proposta mais ambiciosa do que outras produções do subgênero, apostando em uma crítica ambientalista e na construção de um terror sobrenatural. No entanto, essa tentativa de elevar o material acaba transformando o filme em algo monótono. Para os fãs de filmes de tubarão, a experiência é frustrante: faltam momentos de impacto, o design da criatura decepciona, e a narrativa parece fugir do que o público espera de uma história vendida como suspense. Para quem procura uma parábola sobre consequências da exploração ambiental, existem dramas muito mais eficazes.
No fim, resta a sensação de que “O Demônio dos Mares” não soube encontrar seu próprio tom. É um thriller sem suspense, um drama sem profundidade e um filme de tubarão sem tubarão. A ousadia de propor uma leitura mais séria do gênero é válida, mas a execução se perde em um roteiro frágil, efeitos visuais limitados e um ritmo lento que mina qualquer potencial.
“O Demônio dos Mares”
Direção: Adrian Grunberg
Elenco: Josh Lucas, Fernanda Urrejola, Raúl Méndez
Disponível em: HBO Max
Gênero: Ação, Ficção Científica, Suspense, Terror
Roteiro: Carlos Cisco, Boise Esquerra
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