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Crítica: “O Drama” (The Drama)

Relações costumam se sustentar em certezas construídas com o tempo, mas basta uma frase fora do lugar para tudo começar a desmoronar. “O Drama” parte exatamente desse ponto de ruptura, transformando um romance idealizado em um campo de tensão onde confiança e identidade passam a ser questionadas com urgência.

Crítica: “O Drama” (The Drama)

A história acompanha um casal prestes a oficializar uma união que parecia inabalável. O cotidiano compartilhado, os planos futuros e a intimidade construída ao longo dos anos criam a ilusão de completude. É nesse terreno de aparente estabilidade que o filme decide agir, introduzindo um segredo capaz de reconfigurar tudo o que se entendia como verdade dentro da relação.

Zendaya conduz essa virada com precisão desconcertante. Sua personagem carrega um mistério que não se apoia apenas no impacto da revelação, mas na forma como ela ressignifica cada momento vivido até então. Ao lado dela, Robert Pattinson constrói um parceiro que transita entre incredulidade, frustração e uma tentativa quase desesperada de reorganizar a própria percepção. O filme encontra força nesse embate emocional, onde o amor deixa de ser conforto e passa a ser um território instável.

Dirigido por Kristoffer Borgli, o longa se aproxima de um exercício provocativo que flerta com o desconforto de forma deliberada. A proposta gira em torno de uma ideia central que beira o absurdo, mas que encontra eco em discussões reais, tornando impossível ignorá-la completamente. Existe um jogo constante entre o choque e a reflexão, como se o filme testasse até onde o espectador está disposto a acompanhar.

A narrativa se estrutura quase como um experimento. O roteiro investe pesado em um conceito que domina a experiência e define o tom de tudo o que vem depois. Essa escolha é, ao mesmo tempo, sua maior qualidade e sua principal limitação. A força da proposta está concentrada em um único ponto, o que pode gerar fascínio ou desgaste, dependendo da conexão estabelecida com o público.

Visualmente, o filme opta por uma abordagem mais contida, privilegiando espaços íntimos e situações cotidianas. Essa proximidade reforça o impacto do conflito, fazendo com que cada diálogo carregue um peso maior. O desconforto se instala nos detalhes, nos silêncios prolongados e nas reações que escapam ao controle.

Existe também um humor sutil que atravessa a narrativa, funcionando como um alívio momentâneo diante da tensão crescente. Ainda assim, o filme nunca se compromete totalmente com a leveza. A sensação predominante é de inquietação, como se cada cena empurrasse os personagens para um lugar cada vez mais difícil de sustentar.

“O Drama” se constrói como uma anti-história de amor, uma obra que questiona a idealização romântica e expõe fragilidades que costumam ser ignoradas. A proposta pode dividir opiniões, mas dificilmente passa despercebida. É um filme que provoca mais do que conforta, interessado em abrir feridas ao invés de fechá-las.

“O Drama”
Direção
: Kristoffer Borgli
Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim
Disponível em: em cartaz nos cinemas, com sessões antecipadas iniciadas em 2 de abril de 2026 e estreia oficial marcada para 9 de abril de 2026

Avaliação: 3 de 5.

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