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Crítica: “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas” (The Map Of Tiny Perfect Things)

Texto: Ygor Monroe
25 de agosto de 2025
em Amazon Prime Video, Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas, Streaming

O cinema adora brincar com o tempo. Desde “Feitiço do Tempo”, clássico absoluto dos anos 90, o recurso de repetir o mesmo dia em loop virou quase um subgênero à parte. Já vimos variações mais sombrias como em “No Limite do Amanhã”, com Tom Cruise enfrentando batalhas intergalácticas, e outras mais leves, como “Palm Springs”, que transformou a repetição infinita em metáfora para as relações humanas. Dentro desse terreno já bem explorado, surge “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas”, uma versão adolescente e açucarada desse conceito, tentando capturar tanto o espírito de comédia romântica quanto a filosofia existencial escondida no caos de reviver o mesmo dia.

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Crítica: "O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas" (The Map Of Tiny Perfect Things)
Crítica: “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas” (The Map Of Tiny Perfect Things)

A trama acompanha dois jovens que percebem estar presos em um ciclo temporal. Ele, inquieto, busca uma saída para retomar sua vida. Ela, mais contemplativa, enxerga nesse eterno retorno uma chance de observar com calma os detalhes que normalmente passariam despercebidos. É nesse contraste que o filme tenta criar sua poesia: os pequenos momentos cotidianos que, quando somados, dão sentido à vida. A proposta é charmosa e tem seu mérito, mas a execução raramente alcança a originalidade que a ideia exige.

O maior problema é que o filme já nasce carregado de comparações inevitáveis. “Palm Springs”, lançado pouco antes, mostrou como era possível renovar o conceito do loop temporal com frescor, humor ácido e química explosiva entre os protagonistas. Aqui, Kathryn Newton e Kyle Allen até entregam bons momentos, mas o roteiro não dá profundidade suficiente para que seus personagens escapem do estereótipo. Falta faísca, falta densidade, falta aquele algo a mais que transforma uma trama repetitiva em algo inesquecível.

O longa se esforça em criar seu próprio estilo, mas as referências são gritantes. O “montagem de loucuras” típica desse tipo de narrativa aparece, mas é tímida, quase inofensiva. Em vez de arriscar ideias ousadas ou explorar os limites psicológicos da repetição, a obra escolhe caminhos seguros, resultando em um filme que nunca ultrapassa o rótulo de passatempo agradável. O que poderia ser uma exploração filosófica sobre escolhas, destino e liberdade acaba se resumindo a um romance juvenil enfeitado com truques narrativos já conhecidos.

Ainda assim, há momentos em que “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas” encontra sua graça. Quando a câmera desacelera para observar os detalhes, como um gesto inesperado ou um instante aparentemente banal, o filme toca em algo genuíno. É quase como se quisesse nos lembrar de que, na vida real, também vivemos loops invisíveis, repetindo rotinas e gestos sem perceber que são justamente essas pequenas imperfeições que nos dão memória e sentido.

No fim, o longa não chega a ser um fracasso. É competente, bem fotografado e traz uma leveza que pode conquistar espectadores menos exigentes. Mas diante do histórico do cinema com essa mesma premissa, fica difícil ignorar a sensação de déjà vu. “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas” tenta encontrar poesia no detalhe, mas se perde justamente na falta de ousadia, entregando uma experiência bonita, porém esquecível.

“O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas”
Direção: Ian Samuels
Roteiro: Lev Grossman
Elenco: Kathryn Newton, Kyle Allen, Josh Hamilton
Disponível em: Prime Video

⭐⭐

Avaliação: 2 de 5.

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Temas: CinemaCríticaResenhaReview

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