“O Nascimento do Mal” tem tudo para ser um pesadelo psicológico de tirar o sono, mas acaba sendo só um cochilo estendido com sustos programados. A trama até acena para discussões importantes sobre luto, trauma e maternidade, mas escolhe seguir o caminho mais preguiçoso possível: o da assombração genérica em ambiente doméstico. É como se a proposta inicial carregasse um peso emocional real, mas o roteiro resolvesse trocar profundidade por barulhos repentinos e sustos previsíveis.
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A história gira em torno de Julie, vivida com competência por Melissa Barrera, que entrega o que pode dentro de um roteiro que não dá espaço para muito mais. Grávida, fragilizada e em repouso absoluto, ela é o tipo de personagem que clama por um terror mais íntimo, mais silencioso, mais psicológico. Mas o filme não confia na força do que tem em mãos e prefere seguir fórmulas já desgastadas, como se o simples fato de haver um bebê em risco já bastasse para gerar tensão.
A monotonia da narrativa rapidamente se transforma em tédio. Os acontecimentos sobrenaturais surgem em cenas forçadas, com uma previsibilidade que mina qualquer atmosfera de suspense. O terror aqui parece quase decorativo, como se tivesse sido colado em cima de um drama que, sozinho, já não se sustenta.
A direção de Lori Evans Taylor tenta construir um ambiente claustrofóbico, mas tudo soa limpo demais, simétrico demais, controlado demais. A casa onde Julie está confinada não parece ameaçadora, nem viva, nem simbólica. Parece apenas mais um cenário padrão de produções de streaming com orçamento médio.
A própria condição de repouso absoluto, que poderia ser explorada como metáfora para a impotência, o medo do fracasso como mãe, ou até para a paranoia crescente de uma mente isolada, se torna apenas uma desculpa para manter a protagonista presa em um mesmo lugar e esticar ao máximo uma história que caberia em um curta.
No final, há até uma tentativa de redenção emocional que funciona melhor do que todo o resto, mas chega tarde demais para salvar o filme da irrelevância. Falta coragem para mergulhar no lado sombrio da maternidade com a força que o tema exige. O terror aqui é anestesiado, domesticado, como se tivesse medo de perturbar de verdade.
“O Nascimento do Mal” tinha o potencial de ser uma obra angustiante sobre culpa, luto e as pressões de gerar uma vida em meio ao próprio colapso emocional. Mas escolhe o caminho mais fácil, se apoiando em clichês do gênero e perdendo a chance de marcar o espectador com algo mais visceral.
“O Nascimento do Mal”
Direção: Lori Evans Taylor
Elenco: Melissa Barrera, Guy Burnet, Edie Inksetter
Disponível em: HBO Max
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