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Crítica: “O Verão Que Mudou Minha Vida” (1ª Temporada)

A primeira temporada de “O Verão Que Mudou Minha Vida” chegou como quem não quer nada, com aquela promessa de verão agridoce, romance juvenil e dilemas familiares envoltos em brisa salgada. Mas o que parecia apenas mais uma adaptação de best-seller adolescente entrega algo mais maduro, mais sensível e até surpreendente. Jenny Han, que já havia fisgado uma geração com “Para Todos os Garotos que Já Amei”, transforma aqui a proposta inicial em uma narrativa que ganha profundidade com o formato audiovisual e, de quebra, faz o espectador se importar com o que antes parecia descartável.

Crítica: “O Verão Que Mudou Minha Vida” (1ª Temporada)

A série entende algo que o livro original não conseguiu: dar corpo e emoção a personagens que pareciam chapados no papel. A protagonista Belly, por exemplo, finalmente deixa de ser uma narradora excessivamente autocentrada. Isso porque o roteiro tem a inteligência de diluir a história por outras perspectivas. Entram em cena as visões de Conrad, Jeremiah, Susannah, Laurel, Steven. E é nesse mosaico que a série realmente ganha textura. Quanto mais a câmera se afasta do olhar exclusivo de Belly, mais a história respira.

A transformação mais radical talvez seja a de Conrad. O garoto introspectivo e emocionalmente bloqueado do livro se transforma em um jovem cheio de camadas, lutando para não desmoronar enquanto tenta segurar o mundo nas costas. A presença de Susannah e seu diagnóstico não apenas contextualizam sua rigidez, como também ampliam a densidade da trama. A série não esconde o drama, abraça ele desde cedo e constrói cada relação a partir da consciência da perda.

Mas é nas escolhas mais simples que a adaptação brilha. O uso de flashbacks pontuais, a leveza das festas de verão, o exagero dos bailes de debutantes, os silêncios carregados de não-ditos. Tudo é colocado de forma que o espectador não precise ser adolescente para sentir o impacto daquelas decisões. Os conflitos não giram apenas em torno de quem vai ficar com quem, mas sobre como sobreviver emocionalmente a um ciclo que está prestes a acabar.

A relação entre irmãos também é um ponto alto. A tensão silenciosa entre Jeremiah e Conrad, as feridas abertas pelo favoritismo sutil da mãe, a maneira como cada um processa o luto antes mesmo da perda se concretizar. E é impossível não destacar Susannah, uma personagem que poderia cair facilmente no arquétipo da mãe iluminada, mas que aqui carrega sua própria dor com uma vontade absurda de manter a fachada para os filhos. A série entende que o luto começa antes da morte e constrói toda sua temporada em torno dessa ausência iminente.

Mesmo com seus toques açucarados, “O Verão Que Mudou Minha Vida” não apela ao melodrama barato. A emoção funciona porque é contida, suprimida e, por isso, mais real. Quando ela transborda, o impacto é inevitável. A série é uma adaptação que compreende as falhas do material original e corrige com elegância e sensibilidade. O elenco jovem é competente, o design de produção evoca a nostalgia do verão idealizado, e a trilha sonora segura bem as cenas mais delicadas.

No fim das contas, é uma história sobre como crescemos quando somos obrigados a lidar com o fim. O fim da infância, do verão, de uma pessoa querida, de uma ilusão. E esse crescimento, ainda que doloroso, vem embalado com o tipo de honestidade que falta em muita produção voltada ao público jovem.

“O Verão Que Mudou Minha Vida” (2022)
Criação: Jenny Han
Direção: Erica Dunton, Jeff Chan, Jesse Peretz
Elenco: Lola Tung, Christopher Briney, Gavin Casalegno, Rachel Blanchard, Jackie Chung
Disponível em: Prime Video

Avaliação: 4 de 5.

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