A segunda temporada de “O Verão Que Mudou Minha Vida” troca o calor solar da nostalgia por um verão enevoado, atravessado por silêncios desconfortáveis, lágrimas engolidas e dores que ainda não aprenderam a ser nomeadas. Não é mais uma história sobre amores de férias ou beijos sob fogos de artifício. É uma temporada sobre perdas, sobre as feridas que demoram a cicatrizar e sobre a responsabilidade emocional de crescer.
- James Blunt entrega show preciso e celebra 20 anos de “Back to Bedlam” em São Paulo
- “Trato Feito”: Rick Harrison visita o Brasil para evento do History e A&E
- Crítica: “Ballard: Crimes sem Resposta”
O que Jenny Han fez ao adaptar sua trilogia para a TV foi encontrar o tom que os livros muitas vezes não conseguiam sustentar: o da intimidade real. O que antes parecia apenas uma sucessão de escolhas juvenis agora ganha peso. Susannah morre, sim, mas sua ausência ocupa a tela inteira. Ela vira eco, assombração, presença invisível. Cada cena na casa da praia é uma lembrança sendo quebrada. Cada briga, cada reconciliação, carrega sua sombra.
A série começa leve, mas escurece de forma inegável, como se estivesse nos ensinando, junto com Belly, que o verão também guarda tempestades. A trilha sonora, escolhida com precisão cirúrgica, é o golpe final em qualquer resistência emocional. E o texto tem coragem de mergulhar fundo no luto sem romantizá-lo. Os personagens não sabem lidar com o que sentem, mas também não escondem isso. Eles falham, tropeçam, se afastam. E quando se reencontram, é sempre um movimento carregado de dor.
Conrad é o caso mais gritante dessa instabilidade. Um personagem preso em sua própria apatia, tentando ser a muralha que segura o mundo desabando, mas falhando miseravelmente. A série não o absolve, mas tampouco o condena. Dá espaço para ele se despedaçar sem se tornar vilão. Jeremiah, por outro lado, oferece o contraste. É o sorriso que disfarça o vazio, a leveza que carrega sua própria tragédia. Os dois são espelhos rachados: um implode, o outro se afasta. Belly, no meio, tenta encontrar um chão que nunca existiu de verdade.
O que faz essa temporada funcionar é que, apesar do caos emocional, há uma tentativa genuína de lidar com os sentimentos sem apelar para soluções fáceis. Quando os personagens erram, eles são confrontados. Quando acertam, nem sempre são recompensados. O mundo real começa a invadir aquele universo de verão eterno, mostrando que amadurecer é, às vezes, abrir mão daquilo que parecia eterno.
A temporada também acerta ao manter a delicadeza visual do primeiro ano, mas inserindo um peso dramático mais denso. As cores continuam quentes, os pores do sol continuam lindos, mas agora são melancólicos. A direção entende que nem todo romance precisa ser idealizado, e que despedidas podem ser mais definitivas do que promessas. Os últimos episódios são emocionalmente intensos, e o flashback no fim da temporada é o tipo de sequência que destroça o espectador. O texto chega a ser cruel na honestidade com que mostra que, às vezes, amar alguém não basta.
A série ainda carrega alguns excessos, como subtramas que se resolvem rápido demais e conflitos que parecem adiados apenas para caber em mais episódios. Mas nada disso compromete a força central da narrativa. A dor é o que une todos os personagens. O verão mudou mesmo a vida de todos eles, mas não da forma esperada. E isso é o que torna essa temporada mais madura, mais corajosa e mais interessante.
Se a primeira temporada era sobre o desejo de eternizar um verão perfeito, esta é sobre aceitar que nem tudo precisa durar. Há beleza no que acaba. E Belly, no fim, não escolhe apenas um dos irmãos. Ela escolhe a si mesma.
“O Verão Que Mudou Minha Vida” – 2ª temporada (2023)
Criação: Jenny Han
Direção: Erica Dunton, Jeff Chan
Elenco: Lola Tung, Jackie Chung, Rachel Blanchard
Disponível em: Prime Video
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.