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Crítica: “Oi, Sumido!” (Oh, Hi!)

Texto: Ygor Monroe
26 de março de 2026
em Cinemas/Filmes, HBO Max, Resenhas/Críticas, Streaming

Romance que começa com promessas silenciosas e termina em um cenário completamente fora de controle. A ideia de conexão afetiva ganha contornos caóticos, transformando um simples fim de semana a dois em um experimento emocional desconfortável, imprevisível e, em muitos momentos, constrangedor de propósito.

Crítica: "Oi, Sumido!" (Oh, Hi!)
Crítica: “Oi, Sumido!” (Oh, Hi!)

Em “Oh, Sumido!”, o que parecia ser mais um capítulo de intimidade entre duas pessoas rapidamente se desmonta. A relação entre Iris e Isaac, construída ao longo de meses, é colocada à prova no instante em que expectativas colidem. O filme entende bem o peso das suposições dentro de um relacionamento, explorando aquele espaço delicado onde sentimentos não ditos acabam explodindo da pior forma possível.

A condução de Sophie Brooks aposta em uma narrativa que muda de tom com frequência. Em um momento, a leveza de uma comédia romântica quase tradicional. Em outro, um mergulho em situações absurdas que beiram o desconforto total. Essa instabilidade é ao mesmo tempo o charme e o risco do filme, criando uma experiência que oscila entre o riso nervoso e o incômodo genuíno.

Molly Gordon assume o protagonismo com uma entrega intensa. Iris é caótica, vulnerável, impulsiva e, acima de tudo, humana. Existe uma energia que prende a atenção mesmo quando as decisões da personagem caminham para o limite do absurdo, sustentando o interesse em uma história que poderia facilmente se perder. Ao seu lado, Logan Lerman funciona como contraponto, trazendo um tom mais contido que ajuda a equilibrar o caos crescente.

O humor do filme não busca agradar de forma convencional. Ele surge de situações desconfortáveis, de diálogos afiados e de escolhas que desafiam o bom senso. A proposta flerta com o nonsense e abraça o constrangimento como linguagem, lembrando narrativas que colocam personagens comuns em situações completamente desproporcionais às suas capacidades emocionais.

Visualmente, há escolhas interessantes que reforçam essa sensação de espontaneidade. A câmera mais solta em determinados momentos cria proximidade, quase como se o espectador estivesse invadindo um espaço íntimo demais. Essa estética contribui para o sentimento de invasão emocional, tornando tudo ainda mais intenso.

Apesar dos acertos, o desenvolvimento não mantém a mesma força durante toda a duração. O meio da narrativa perde fôlego e demora a aprofundar seus personagens. Falta densidade em algumas camadas importantes, o que faz com que o impacto de certas viradas seja menor do que poderia. Ainda assim, o desfecho consegue recuperar parte dessa força, entregando um encerramento que mistura humor e melancolia de forma eficiente.

” Oh, Sumido!” se destaca por arriscar. É uma obra que abraça o desconforto e desafia expectativas dentro do gênero, apostando em personagens imperfeitos e decisões questionáveis para construir sua identidade. Nem sempre acerta, mas dificilmente passa despercebido.

“Oh, Sumido!”
Direção
: Sophie Brooks
Elenco: Molly Gordon, Logan Lerman, Geraldine Viswanathan
Disponível em: HBO Max

⭐⭐⭐

Avaliação: 3 de 5.

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Temas: CríticaLogan LermanMolly GordonResenhaReview

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