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Crítica: “One Piece: A Série” – segunda temporada

Texto: Ygor Monroe
11 de março de 2026
em Netflix, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

Um mar de expectativas pairava no ar desde que a primeira leva de episódios transformou uma aposta arriscada em um fenômeno global. Adaptações de anime em live-action carregam um histórico turbulento, frequentemente lembrado como um cemitério de boas intenções. Quando “One Piece: A Série” surgiu em 2023, a narrativa virou o jogo com energia suficiente para fazer o público acreditar novamente nesse tipo de projeto. Agora, a segunda temporada chega carregando o peso desse triunfo e a responsabilidade de provar que aquela vitória inicial não foi apenas sorte de principiante.

Crítica: "One Piece: A Série" - segunda temporada
Crítica: “One Piece: A Série” – segunda temporada

A boa notícia é que o espírito aventureiro continua intacto. O primeiro episódio da nova temporada mergulha o espectador diretamente em uma sequência caótica de ataque a uma base da Marinha. Explosões, soldados correndo e uma atmosfera de batalha que parece saída de um mangá ganhando vida diante dos olhos. É um começo que deixa claro o que está em jogo. Escala maior, conflitos mais intensos e um mundo que se expande rapidamente.

No centro de tudo permanece Monkey D. Luffy, interpretado por Iñaki Godoy com o mesmo entusiasmo quase infantil que se tornou a alma da série. Luffy continua sendo o motor emocional da história, um protagonista cuja obstinação em encontrar o lendário tesouro conhecido como “One Piece” mistura ingenuidade, coragem e uma dose quase irritante de otimismo.

A jornada do bando do Chapéu de Palha segue pelo mar aberto a bordo do Going Merry, agora com um destino cada vez mais claro: a temida Grand Line. O caminho passa por Loguetown, local carregado de significado dentro da mitologia da história, cenário da execução de Gold Roger, o antigo rei dos piratas. A parada funciona como um grande cruzamento narrativo. Velhos inimigos reaparecem, novas alianças surgem e a tensão cresce conforme o nome de Luffy começa a circular em cartazes de procurado.

A série mantém um dos seus maiores trunfos: personagens que parecem saltar de uma história em quadrinhos colorida diretamente para a tela. Zoro continua sendo a figura silenciosa de presença intimidadora. Nami funciona como o eixo racional do grupo. Usopp e Sanji reforçam a dinâmica de equipe com humor e carisma.

Esse equilíbrio de personalidades é o que sustenta o caos encantador da série. A temporada também introduz novos jogadores no tabuleiro. Tashigi surge como uma espadachim determinada que pode ocupar qualquer lado do conflito, enquanto Bartolomeo aparece como uma presença imprevisível, daquelas que deixam o público sempre em dúvida sobre suas verdadeiras intenções. No meio disso tudo surge Smoker, um oficial da Marinha com poderes impressionantes e uma obsessão particular por capturar Luffy.

Os confrontos físicos continuam sendo um espetáculo. Espadas colidem, socos se esticam de maneiras impossíveis e coreografias exageradas reforçam o DNA claramente inspirado no anime. O orçamento robusto aparece na tela. Cenários vibrantes, figurinos extravagantes e efeitos visuais que abraçam o absurdo sem vergonha alguma.

Ainda assim, o episódio inicial deixa escapar um pequeno tropeço no ritmo. Sequências de preparação para batalhas se estendem mais do que o necessário. Personagens anunciam suas intenções, exibem armas, trocam ameaças e apenas depois partem para a ação. A narrativa às vezes parece mais interessada em prolongar o momento do que em acelerar o impacto.

Mesmo assim, o encanto permanece. Parte do charme de “One Piece: A Série” reside justamente nesse exagero. A produção abraça a estética cartunesca, quase como um episódio de desenho animado que ganhou carne, osso e uma produção milionária.

Outro ponto forte surge na forma como o grupo funciona como família improvisada. Nami, interpretada por Emily Rudd, assume o papel de coração emocional da equipe. Sua postura pragmática contrasta com o entusiasmo impulsivo de Luffy, criando um equilíbrio que impede a história de mergulhar completamente na loucura.

A série sabe que seu maior tesouro não é o ouro escondido no final da jornada, mas o vínculo entre esses personagens. Quando o episódio se encaminha para o final, o Going Merry aponta para Reverse Mountain, porta de entrada para a lendária Grand Line. O gesto simboliza muito mais do que uma simples mudança de rota. Representa o momento em que a aventura deixa de ser apenas um sonho juvenil e passa a se transformar em um desafio real.

Para quem acompanha essa história desde os tempos do anime ou do mangá, a sensação é parecida com reencontrar velhos amigos prestes a embarcar em uma viagem ainda maior. Para novos espectadores, a segunda temporada reforça que a série encontrou seu próprio rumo dentro da cultura pop.

“One Piece: A Série”
Direção
: Christoph Schrewe, Emma Sullivan, Josef Kubota Wladyka, Lukas Ettlin
Elenco: Emily Rudd, Iñaki Godoy, Jacob Romero Gibson, Joe Manganiello, Lera Abova, Mackenyu Arata, Morgan Davies, Taz Skylar
Disponível em: Netflix

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

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Temas: CríticaEmily RuddIñaki GodoyJacob Romero GibsonJoe ManganielloLera AbovaMackenyu ArataMorgan DaviesResenhaReviewTaz Skylar

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