A segunda temporada de “Pacificador” chega carregada de expectativas, afinal a primeira foi uma surpresa que desarmou até os mais céticos. James Gunn mais uma vez mostra domínio total de como transformar um personagem improvável em protagonista absoluto, sem perder a mistura de brutalidade, humor ácido e camadas emocionais que fizeram da série um fenômeno cult.
- Como a Eisenbahn se consolidou como uma grande presença no mundo da música em 2025
- Club Social e Trident levam experiências imersivas ao The Town 2025
- Crítica: “Agente Butterfly” (Butterfly) – primeira temporada

O ponto mais interessante é como a trama não se contenta em repetir fórmulas. Gunn poderia facilmente apostar só em piadas, sangue e caos, mas prefere dar densidade a Chris Smith, interpretado com entrega absurda por John Cena. A série entende que o grande conflito de “Pacificador” não está apenas em vilões ou superpoderes, mas na fragilidade de um homem que salva o mundo e continua sendo visto como piada. Essa contradição sustenta a temporada e oferece terreno para diálogos existenciais dentro de um universo que, em tese, vive de explosões e confrontos.
Outro mérito é a forma como a temporada lida com o conceito de multiverso. Em vez de abraçar o artifício como espetáculo vazio, a série o utiliza como espelho, mostrando os caminhos que a vida poderia ter tomado e como escolhas moldam quem somos. “Pacificador” transforma a ideia de realidades alternativas em reflexão sobre identidade, destino e cicatrizes pessoais. Esse recurso dá consistência narrativa e garante que cada personagem tenha relevância dentro do enredo.
A dinâmica do grupo, os chamados 11th Street Kids, segue sendo um dos pilares emocionais. A amizade entre eles não aparece como recurso forçado para gerar drama, mas como laço autêntico que ancora a série em meio ao caos. Mesmo com seus fracassos e dores, eles continuam sendo o suporte uns dos outros, e é justamente essa humanidade que torna a violência gráfica e o humor ainda mais potentes.
Visualmente, a série mantém a estética agressiva, colorida e exagerada que Gunn construiu no primeiro ano. As sequências de ação são intensas, e os momentos de comédia aparecem como válvula de escape sem perder o peso dramático. Há espaço, inclusive, para provocações mais ousadas, que deixam claro que este universo não se pretende familiar ou confortável. “Pacificador” continua sendo selvagem, debochado e surpreendentemente tocante.
Se na primeira temporada havia dúvidas sobre a capacidade de Cena sustentar o protagonismo, agora a questão se inverte: ele entrega um dos personagens mais carismáticos e complexos da atual safra televisiva. O elenco de apoio reforça essa força, com destaque para a química que mantém a narrativa viva. Mesmo com algumas escolhas que guardam mais para o fim da temporada, a costura se mostra planejada e consistente.
A segunda temporada de “Pacificador” reafirma James Gunn como um criador que sabe equilibrar espetáculo e conteúdo. É uma série que provoca risadas, choca pela violência, mas principalmente emociona ao tratar de quem somos e quem poderíamos ser. Dentro do atual cenário de adaptações de quadrinhos, poucos títulos conseguem unir irreverência e reflexão com essa intensidade.
“Pacificador”
Criação e direção: James Gunn
Elenco: John Cena, Danielle Brooks, Jennifer Holland, Freddie Stroma, Robert Patrick, Tim Meadows, Michael Rooker
Disponível em: HBO Max | Novos episódios toda quinta-feira ás 22h
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.






