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Crítica: “Pai do Ano” (Goodrich)

Uma rotina confortável pode desmoronar em questão de dias quando a vida decide cobrar o que foi deixado para depois. Em “Pai do Ano”, a aparente estabilidade de Andy Goodrich se desfaz com um telefonema e, a partir daí, tudo passa a exigir presença, maturidade e, acima de tudo, responsabilidade emocional. O filme constrói sua narrativa nesse território delicado, onde o humor surge como válvula de escape, mas nunca como fuga do que realmente importa.

Crítica: “Pai do Ano” (Goodrich)

Interpretado por Michael Keaton, Andy é um homem que sempre soube circular bem entre obras de arte e negociações, mas que se vê completamente deslocado diante do cotidiano doméstico. A paternidade, aqui, deixa de ser conceito e passa a ser prática urgente, especialmente quando ele precisa cuidar sozinho dos filhos pequenos enquanto enfrenta problemas financeiros e encara os fantasmas do passado. A chegada de Grace, vivida por Mila Kunis, amplia esse conflito. A relação entre pai e filha se transforma no eixo emocional da história, revelando feridas antigas que nunca tiveram espaço para cicatrizar.

O grande trunfo do filme está na forma como equilibra tons. Existe leveza, mas nunca superficialidade. O roteiro aposta em situações cotidianas que beiram o caos, explorando o contraste entre gerações e as diferentes formas de entender o que significa estar presente. Em meio a rotinas escolares, crises familiares e decisões impulsivas, o longa encontra espaço para refletir sobre falhas, arrependimentos e recomeços possíveis.

Michael Keaton conduz tudo com uma naturalidade que impressiona. Sua capacidade de transitar entre o cômico e o dramático aparece com precisão cirúrgica, sustentando tanto os momentos mais descontraídos quanto aqueles em que o silêncio diz mais do que qualquer diálogo. É nesse equilíbrio que o filme encontra sua identidade, permitindo que o espectador se reconheça em pequenas imperfeições e grandes tentativas de acerto.

A química com Mila Kunis fortalece ainda mais a narrativa. Grace não surge como apoio fácil ou solução conveniente. Pelo contrário. Sua presença tensiona, questiona e expõe. O reencontro entre pai e filha é tratado como processo, não como resolução imediata, o que torna a jornada mais honesta e emocionalmente eficaz.

Inserido em um contexto urbano como Los Angeles, o filme também dialoga com as pressões contemporâneas da vida adulta. Carreira, família e identidade se misturam em um cenário onde falhar parece inevitável. Ainda assim, “Pai do Ano” aposta na reconstrução. Não como redenção grandiosa, mas como soma de pequenos gestos, tentativas e aprendizados.

Michael Keaton atravessa mais uma fase sólida de sua carreira, demonstrando que experiência e entrega ainda caminham lado a lado. O filme se sustenta muito por sua presença, mas também pelo cuidado em desenvolver relações que fogem do óbvio e abraçam a complexidade.

“Pai do Ano” funciona como um retrato sensível de vínculos quebrados que insistem em se reorganizar. Um filme que encontra força justamente naquilo que costuma ser evitado: o desconforto de encarar quem se foi no passado e quem ainda se pode ser no presente.

“Pai do Ano”
Direção
: Hallie Meyers-Shyer
Elenco: Michael Keaton, Mila Kunis, Danny Deferrari
Disponível em: Amazon Prime Video

Avaliação: 3 de 5.

Trono de Ferro por gerações. Embora detalhes oficiais ainda não tenham sido confirmados, o projeto reforça a estratégia de expansão contínua da marca.

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