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Crítica: “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” (The Fantastic Four: First Steps)

É difícil pensar em um grupo de super-heróis mais maltratado pelo cinema do que o Quarteto Fantástico. Adaptado de forma desastrosa em outras encarnações, o time que praticamente criou o molde da Marvel nos quadrinhos sempre ficou devendo nas telonas. Mas “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” finalmente quebra esse ciclo com uma reinvenção visualmente ousada, emocionalmente complexa e cheia de personalidade, que coloca os heróis no centro de uma nova e promissora fase do estúdio.

Crítica: “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” (The Fantastic Four: First Steps)

Apostando em uma estética retrofuturista ambientada em uma realidade alternativa dos anos 1960, o filme evita perder tempo com a velha fórmula da origem. Aqui, o Quarteto já existe, já é adorado, e é justamente o peso dessa adoração que os arrasta para a crise. A Marvel, dessa vez, opta por uma narrativa menos preocupada em seguir os moldes de ação frenética e mais interessada em explorar o drama e a humanidade desses personagens. O resultado é um filme que carrega mais coração do que explosão, mais textura do que pirotecnia.

Pedro Pascal entrega um Reed Richards mais paternal, um gênio torturado pela culpa de suas escolhas e pela responsabilidade que carrega nos ombros. Vanessa Kirby rouba a cena com uma Susan Storm finalmente escrita com densidade: sensível, forte e essencial para a coesão emocional da equipe. Joseph Quinn injeta um charme jovem e rebelde no Tocha Humana, enquanto Ebon Moss-Bachrach emociona ao interpretar Ben Grimm com uma sensibilidade surpreendente, mesmo sob toneladas de prótese rochosa.

Com direção firme de Matt Shakman, o longa encontra um equilíbrio raro entre nostalgia e frescor. As cores vibram, os figurinos conversam com a estética dos quadrinhos clássicos e a direção de arte abraça referências do sci-fi dos anos 60 com um toque de sofisticação visual que remete a “2001: Uma Odisseia no Espaço” sem perder o tom Marvel. O filme não se acovarda frente à grandiosidade cósmica: o Surfista Prateado de Julia Garner é etéreo e enigmático, e o Galactus dublado por Ralph Ineson é uma entidade de presença ameaçadora e voz arrepiante, construída com imponência e silêncio.

A chegada de Galactus, aliás, é um dos momentos mais cinematográficos da Marvel em anos. Ao invés de se apoiar em destruição sem sentido, o filme constrói tensão com elegância, usando silêncio, escala e efeitos práticos para criar um clima quase operístico. O Surfista, por sua vez, flutua como uma pincelada de luz em um universo que parece ter voltado a acreditar em beleza.

A trilha sonora de Michael Giacchino amplia ainda mais essa experiência, alternando entre o épico e o delicado, com composições que elevam os momentos íntimos tanto quanto os de ação.

Ainda que o roteiro deixe escapar algumas oportunidades de aprofundamento (como o impacto da perda de apoio público, citado mas resolvido rápido demais), o saldo final é de uma obra que recoloca o Quarteto no panteão do MCU com dignidade, potência emocional e sofisticação estética.

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” não tenta ser o filme mais barulhento da Marvel. Ele tenta ser o mais humano. E consegue.

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”
Direção: Matt Shakman
Elenco: Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, Ebon Moss-Bachrach, Julia Garner, Ralph Ineson
Disponível nos cinemas a partir de 24 de julho de 2025.

Avaliação: 4 de 5.

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