“Quero Você” chega ao catálogo da Netflix vendida como um thriller erótico, mas o que se encontra é um filme sem identidade, perdido entre a promessa de sedução e a tentativa de suspense. A produção até aposta em cenários paradisíacos e em um elenco jovem de rostos atraentes, mas nada disso compensa a fragilidade narrativa e a execução que beira o amadorismo.
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A trama acompanha Lili (Svenja Jung), que viaja a Maiorca para reencontrar a irmã Valeria (Tijan Marei), apenas para descobrir que ela está prestes a se casar com um francês charmoso demais para ser verdade. Movida pela desconfiança, Lili começa a investigar o futuro cunhado e acaba se perdendo em uma relação arrebatadora com Tom (Theo Trebs), gerente de um clube local. No entanto, o que poderia ser uma espiral de mistério e desejo se transforma em uma sucessão de clichês previsíveis, diálogos rasos e um roteiro que não sabe para onde apontar.
O problema central de “Quero Você” está na sua incapacidade de equilibrar o que promete: a sedução é tímida, quase inexistente, enquanto o suspense nunca se consolida. As cenas que deveriam carregar tensão erótica parecem constrangidas, coreografadas sem química entre os atores. Do outro lado, o suposto thriller se dilui em explicações frouxas e em reviravoltas que não surpreendem. É um filme que não entrega o básico do gênero, seja no calor da paixão ou no peso do mistério.
Ainda que Svenja Jung e Theo Trebs se esforcem, não há sintonia que sustente a narrativa. A relação entre seus personagens soa artificial, como se cada cena fosse montada mais para preencher lacunas de roteiro do que para construir um envolvimento real. Victor Meutelet, no papel do noivo francês, também é desperdiçado em uma caricatura de sedutor perigoso, reduzido a gestos e falas que parecem retiradas de uma novela rasa.
Do ponto de vista estético, a direção de Sherry Hormann aposta no óbvio. Há belas locações na ilha de Maiorca, mas a fotografia não vai além de cartões-postais ensolarados. O filme poderia ter explorado a dualidade entre o paraíso turístico e o submundo de interesses escusos, mas se limita a usar o cenário como pano de fundo turístico, sem criar atmosfera ou tensão real.
No fim, “Quero Você” não é erótico nem é thriller. É apenas um produto da fórmula saturada que a Netflix insiste em empurrar ao público, tentando replicar o sucesso de títulos como “365 Dias”, mas sem a mínima ousadia narrativa. O resultado é um filme esquecível, incapaz de provocar emoção, desejo ou sequer curiosidade.
Para um gênero que depende de intensidade e entrega, o vazio que “Quero Você” deixa é sintomático de uma produção feita sem risco, sem paixão e sem propósito.
“Quero Você”
Direção: Sherry Hormann
Elenco: Svenja Jung, Theo Trebs, Victor Meutelet, Tijan Marei
Disponível na Netflix
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