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Crítica: “Refém” (Hostage) – primeira temporada

“Refém” chega como uma aposta da Netflix no gênero de thriller político internacional, misturando intriga diplomática com drama pessoal. A série acompanha Abigail Dalton (Suranne Jones), primeira-ministra do Reino Unido, que se vê em uma situação desesperadora quando seu marido é sequestrado enquanto cumpre trabalho humanitário na Guiana Francesa. Paralelamente, a presidente francesa Vivienne Toussaint (Julie Delpy) recebe ameaças e chantagens, e a tensão cresce à medida que a crise se torna internacional. A trama explora a vulnerabilidade humana diante do poder, e o quanto decisões pessoais podem afetar diretamente a política global.

Crítica: “Refém” (Hostage) – primeira temporada

A primeira temporada apresenta um ritmo sólido, embora algumas situações soem exageradas ou previsíveis. Por exemplo, o fato de Alex trabalhar sem segurança em território estrangeiro é explicado de forma quase apologética, mas serve apenas para justificar a vulnerabilidade necessária à narrativa. Mesmo assim, a tensão é mantida através das negociações entre Abigail e Toussaint, que misturam formalidade diplomática com confrontos silenciosos carregados de estratégia. A série consegue equilibrar o jogo político com drama humano de maneira convincente, especialmente nos momentos em que as vidas dos reféns estão em risco.

O grande trunfo de “Refém” está nas atuações de Suranne Jones e Julie Delpy. Jones consegue transmitir a mistura de inexperiência e firmeza de uma primeira-ministra que precisa tomar decisões impossíveis, equilibrando a responsabilidade pública com a preocupação maternal por sua filha Sylvie. Delpy, por sua vez, imprime uma frieza estratégica em Toussaint, mas revela camadas de segredo e ambição que tornam sua personagem imprevisível e fascinante. A química entre as duas líderes é um dos pontos mais fortes da série, garantindo cenas de tensão memoráveis e diálogos carregados de subtexto.

A narrativa também se apoia em decisões éticas e morais que mostram como política internacional e escolhas pessoais se entrelaçam. A tensão cresce não só pelo sequestro, mas pelas consequências de cada movimento, revelando o preço que líderes pagam quando precisam equilibrar dever e humanidade. A fotografia e a ambientação reforçam a sensação de realismo e gravidade, com Londres e o cenário internacional funcionando como extensão natural da trama.

“Refém” entrega um thriller político direto, com momentos de suspense bem construídos e personagens complexos que enfrentam dilemas reais. Ainda que alguns eventos possam parecer artificiais ou previsíveis, a série se mantém envolvente graças à força das protagonistas e ao jogo de poder que desenvolve. É uma obra que explora a política internacional com inteligência, tensão e humanidade, mostrando que, no fim, as maiores crises sempre têm rosto humano.

“Refém”
Criado por Matt Charman
Elenco: Suranne Jones, Julie Delpy, Lucian Msamati
Disponível em: Netflix

Avaliação: 3 de 5.

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