Luzes de neon, saltos altos e ressentimentos acumulados costumam formar uma mistura explosiva quando o poder muda de mãos. Aqui, a vingança surge menos como discurso moral e mais como espetáculo, guiada por corpos em movimento, dinheiro sujo e uma ideia simples de justiça que prefere o excesso à sutileza.

“Risqué: A Vingança” se ancora em uma premissa direta. Após ser descartada por um clube de striptease comandado por um chefe corrupto, uma dançarina decide virar o jogo. O plano envolve colegas de profissão, códigos de lealdade improvisados e um assalto que bebe descaradamente da cartilha dos filmes de golpe. As referências são evidentes e assumidas. Ecos de “Oceans Eleven” surgem na estrutura, enquanto o ambiente remete ao imaginário de “Striptease”, tudo filtrado por um humor de gosto duvidoso que flerta com a autoparódia.
O filme entende seu lugar no território do cinema B e jamais tenta disfarçar isso. O elenco reúne rostos conhecidos da televisão e nomes ainda distantes de grandes produções, o que curiosamente funciona a favor da proposta. As atuações seguem um registro contido para o padrão do gênero, evitando exageros caricatos. Existe uma tentativa clara de tratar as personagens como um grupo coeso, sustentado por amizade, cumplicidade e pequenas disputas internas, mesmo quando o roteiro simplifica conflitos.
Tecnicamente, a montagem surpreende em momentos pontuais. As cenas de ação recebem cortes eficientes e um ritmo que mantém o olhar atento, enquanto algumas sequências explicativas se estendem mais do que deveriam, preenchendo o tempo com informações pouco relevantes. O humor oscila. Algumas piadas escorregam para o constrangimento, outras encontram graça justamente pela falta de vergonha. O resultado é irregular, mas coerente com a proposta assumidamente despretensiosa.
A tentativa de equilibrar discurso de empoderamento feminino com exploração visual cria um ruído curioso. Em certos momentos, o filme parece dividido entre celebrar a força coletiva das protagonistas e interromper a narrativa para inserir números de dança que pouco acrescentam à história. Essa indecisão de tom gera curvas abruptas, alternando camaradagem, comédia escrachada e surtos de violência gráfica, algo que pode afastar parte do público enquanto diverte outro segmento mais alinhado ao exagero.
O roteiro carece de ambição dramática e segue um caminho previsível, ainda que inclua pequenas viradas mais sombrias que trazem algum frescor. Para quem cresceu consumindo comédias irreverentes dos anos 2000, como “American Pie”, “Epic Movie” e a franquia “Todo Mundo em Pânico”, a experiência conversa com esse espírito descompromissado, interessado mais no impacto imediato do que em coerência narrativa.
“Risqué: A Vingança” termina como um produto curioso. Melhor do que se espera em alguns aspectos, aquém do que poderia ser em outros, funciona como passatempo barulhento, caótico e ocasionalmente divertido. Um filme que sabe rir de si mesmo, mesmo quando tropeça na própria ambição.
“Risqué: A Vingança”
Direção: Tony Dean Smith
Elenco: Akira Koieyama, Alexsandria Ralev, Andi Jashy
Disponível em: Paramount +
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.






