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Crítica: Rosalía, “El Mal Querer”

Texto: Ygor Monroe
3 de novembro de 2024
em Música, Resenhas/Críticas

“El Mal Querer” é daqueles discos que desafiam definições, como se Rosalía decidisse fazer o impossível: transformar um TCC em um manifesto musical que flerta com o pop, o hip-hop e o experimentalismo, e ainda deixar o mundo de olhos e ouvidos bem abertos. Inspirado em “Flamenca“, um romance medieval sobre o aprisionamento de uma mulher pelo próprio marido, o álbum vai muito além de ser só uma interpretação moderna de uma obra antiga. Cada faixa é um ato de rebeldia artística, onde Rosalía narra uma história de amor e violência.

Crítica: Rosalía, "El Mal Querer"
Crítica: Rosalía, “El Mal Querer” | Foto: Reprodução

Aqui, o flamenco encontra o urbano. As bases eletrônicas, cortesia do produtor El Guincho, criam um cenário sonoro que mistura o tradicional com o inovador. Na faixa “Malamente”, batidas e palmas aceleradas dialogam com sintetizadores, transformando o compasso flamenco em algo quase ritualístico. Rosalía não só canta: ela manipula a própria voz como uma arma narrativa. Em “Pienso En Tu Mirá”, por exemplo, sua voz entra em camadas, com ecos que parecem assombrar, como se cada nota fosse uma lembrança que se recusa a desaparecer.

É preciso ressaltar o que Rosalía faz com sua voz em “El Mal Querer”. A cada faixa, ela explora um timbre e uma entonação que se adequam perfeitamente ao momento emocional da protagonista. Em algumas músicas, ela soa quase frágil, como se cada verso fosse um pedido de socorro; em outras, sua voz é dura, afiada como uma faca, desafiando os sons que a cercam. Ela se permite exageros e experimentalismos que fogem do convencional, transformando o disco em algo além de uma obra musical – uma performance vocal de profundidade e coragem.

A construção narrativa do álbum é outro detalhe impressionante. Em vez de faixas isoladas, cada música representa um capítulo da vida da protagonista, cada uma funcionando como uma peça dessa trama trágica e libertadora. Em “Di Mi Nombre”, por exemplo, Rosalía mistura devoção e desespero ao cantar sobre amor e posse, enquanto “Bagdad” carrega um ar de melancolia cortante, onde sons vocais são distorcidos, quase como se chorassem. Cada música é um ato de um drama carregado de dor e redenção, e cada faixa leva o ouvinte mais fundo nessa jornada emocional.

E o que dizer das influências visuais? Rosalía é uma das poucas artistas que entende o poder de um conceito visual como extensão do musical. Seus videoclipes ilustram as músicas enriquecendo a narrativa, trazendo simbolismos e metáforas visuais que dão vida ao que ela canta. Em “Malamente“, cada frame é carregado de referências culturais e estéticas que vão do surrealismo à tradição espanhola. Tudo é grandioso e enigmático, como se o próprio clipe fosse parte do mistério do álbum.

Talvez o mais impressionante em “El Mal Querer” seja a capacidade de nos fazer descobrir novos detalhes a cada audição. Como um álbum conceitual que abraça o misticismo e o contemporâneo, ele desafia qualquer classificação fácil. Rosalía toma para si o papel de contadora de histórias, de artista completa que não se contenta em só cantar, ela vive e revive cada nota, cada palavra e cada silêncio, numa intensidade rara de se ver.

“El Mal Querer” transcende a música. É uma obra de coragem e autenticidade, que nos transporta para um mundo onde o passado e o futuro do flamenco se encontram, com Rosalía desafiando convenções e expectativas. É um álbum feito para ser sentido e explorado, e, acima de tudo, para mostrar que, às vezes, a verdadeira liberdade surge quando ousamos quebrar as barreiras do que é esperado.

Nota final: 100/100

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Temas: CríticaEl Mal QuererMúsicaResenhaReviewRosalía

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