Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda
Sem resultados
Ver todos os resultados
Caderno Pop
Sem resultados
Ver todos os resultados

Crítica: Rosalía, “Lux”

Texto: Ygor Monroe
11 de novembro de 2025
em Música, Resenhas/Críticas

Rosalía sempre foi uma artista movida pelo impulso de torcer as fronteiras, mas em “Lux” ela decide reorganizar esse território inteiro. O quarto álbum da espanhola carrega um brilho que ultrapassa estética e gênero. É um projeto que parece respirar por conta própria, como se cada movimento tivesse sido composto dentro de uma catedral imaginária onde cordas, vozes e idiomas se encostam sem pedir licença. A sensação é de testemunhar um gesto artístico que recusa fórmulas confortáveis e insiste em subir mais um degrau de ambição.

Crítica: Rosalía, "Lux"
Crítica: Rosalía, “Lux”

“Lux” nasce como um grande mosaico de linguagens. Rosalía canta em quatorze idiomas e organiza o projeto em quatro movimentos que funcionam como capítulos de uma mesma dramaturgia espiritual e emocional. Cada língua representa uma santa e cada música se apoia na vida dessas figuras como ponto de partida para expandir ideias de transformação, redenção, coragem e desejo. Nada soa gratuito. Há método, estudo, pesquisa, suor. E há um corpo orquestral inteiro moldado para acompanhar essa viagem, gravado com a Orquestra Sinfônica de Londres sob a batuta de Daníel Bjarnason, com arranjos minuciosos de Caroline Shaw.

O álbum é, acima de tudo, um exercício de construção de mundo, daqueles que exigem tempo, curiosidade e uma visão que se desdobra em múltiplas direções. Rosalía partiu de rascunhos improvisados que nasceram no Google Tradutor, mas lapidou tudo com foneticistas, tradutores e músicos. O resultado é um disco que leva mais de dois anos para florescer e revela uma artista que assume risco com naturalidade. Há uma ironia silenciosa nisso: enquanto parte da música pop ainda procura caminhos seguros, Rosalía abre espaço para um diálogo entre música clássica, art pop, ópera e eletrônica de maneira orgânica e cheia de senso de propósito.

“Lux” se apresenta como um projeto que equilibra escala e intimidade. A grandiosidade orquestral nunca atropela a artista. Em vez disso, amplifica o que sua voz tem de mais raro. O vocal de Rosalía encontra aqui um ponto de luz tão delicado que parece flutuar entre o humano e o mítico. Em várias faixas, especialmente em “Mio Cristo Piange Diamante”, é possível perceber um controle vocal que se dobra em nuances, atinge picos de intensidade e retorna ao sussurro com a mesma segurança.

“Berghain”, o primeiro single, funciona como um portal. O inglês, o alemão e o espanhol costuram uma faixa que opera quase como um rito de passagem. É uma página virada desde “Motomami”, mas sem perder o senso narrativo que sempre acompanhou a cantora. “Reliquia”, que surgiu e desapareceu do Spotify num gesto quase performático, reforça a atmosfera etérea que atravessa o álbum. O disco como um todo move-se como um organismo vivo, sustentado por arranjos que alternam respirações largas e explosões súbitas, num jogo de luz e sombra que justifica o título.

Há uma qualidade cinematográfica evidente em todas as escolhas. As cordas soam como se fossem gravadas dentro de um salão antigo iluminado por velas, o piano ocupa o espaço com toques suaves que lembram passos numa sala vazia, enquanto metais aparecem com precisão cirúrgica para marcar viradas dramáticas. Há ecos de ária, há estrutura de oratório, há lampejos de flamenco, há contornos eletrônicos inseridos com sutileza. Tudo isso se organiza como se Rosalía estivesse montando uma ópera moderna que se recusa a seguir tradições de maneira literal.

O mérito técnico se completa com o cuidado conceitual. Rosalía deixa claro que o álbum dialoga com sua relação espiritual com Deus, mas sem transitar por territórios dogmáticos. Aqui, o sagrado é íntimo, aberto, moldado por leituras de hagiografias, pensamentos de Simone Weil, reflexões de Clarice Lispector e referências espalhadas em várias tradições religiosas. Esse conjunto se transforma em matéria sonora. A espiritualidade surge como linguagem artística, e não como pregação.

“Lux” também abre espaço para feridas humanas. Em meio às reflexões grandiosas, há versos que remontam a desilusões amorosas, capítulos de relações rompidas, fantasmas sentimentais que atravessam a narrativa. Essa combinação entre o divino e o terreno produz um disco que vibra em várias camadas. Flui como se fosse uma história de ascensão, queda e retorno.

A estrutura por movimentos é uma das escolhas mais inteligentes. O primeiro revela um impacto maximalista, expandindo vozes, cordas e texturas. O segundo aterrissa, troca exuberância por densidade. O terceiro mira a graça. O último despede-se com gesto quase ritualístico. Cada segmento cria a impressão de atravessar salas diferentes de um mesmo templo musical.

O mais curioso é como Rosalía consegue transformar suas referências sem transformá-las em muros. Em “Sauvignon Blanc”, por exemplo, o duo Justice injeta um sopro de energia eletrônica que se mistura ao caráter litúrgico da composição. Em “Jeanne”, o toque francês conduzido com a ajuda de Charlotte Gainsbourg costura delicadeza e força. Já “La Yugular” traz pulsos inspirados nos estudos da artista sobre o Islã.

E ainda assim, dentro de tudo isso, nada parece exibicionismo. O disco é ambicioso, mas nunca perde de vista a intenção emocional. Há um coração pulsando entre violinos, vozes e referências culturais. Um gesto honesto de alguém que queria expandir seu horizonte artístico e descobriu novas formas de cantar, falar, entender o mundo.

No fim, “Lux” deixa a impressão de que Rosalía abriu uma janela para o futuro da música popular, como se tivesse acionado um holofote discreto num cenário que andava preso à repetição. O álbum oferece narrativa, técnica, risco e sensibilidade. E entrega algo raro: um trabalho inteiro que serve tanto à análise quanto à experiência sensorial.

“Lux” é o tipo de obra que confirma Rosalía como uma artista que prefere criar planetas a orbitar tendências. É um álbum que tenta tocar algo invisível e, por algum motivo, consegue. É denso, luminoso, ousado e feito com rigor. E logo nos primeiros minutos fica claro que a artista entrou em seu período mais maduro e mais livre.

Se a música pop atual busca caminhos para reencantar seus próprios limites, “Lux” aponta uma trilha possível. E faz isso com brilho próprio.

Nota final: 99/100

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Compartilhe isso:

  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

Curtir isso:

Curtir Carregando...
Temas: CríticaMúsicaResenhaReview

Conteúdo Relacionado

Minisséries

Crítica: “Naquela Noite” (Esa Noche)

Texto: Ygor Monroe
13 de março de 2026
Amazon Prime Video

Crítica: “Day One”

Texto: Ygor Monroe
13 de março de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Made in Korea”

Texto: Ygor Monroe
13 de março de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Pacto de Redenção” (Knox Goes Away)

Texto: Ygor Monroe
13 de março de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Iron Lung”

Texto: Ygor Monroe
13 de março de 2026
Cinemas/Filmes

Crítica: “Observador” (Watcher)

Texto: Ygor Monroe
13 de março de 2026
Música

Luísa Sonza apresenta capa e data de lançamento do álbum “Brutal Paraíso”

Texto: Ygor Monroe
13 de março de 2026

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Página Inicial
    • Sobre o Caderno Pop
    • Fale com a gente
  • Música
    • Música
    • Clipes e Audiovisuais
    • Festivais
    • Shows
  • Cinemas/Filmes
  • Séries
  • Entrevistas
  • Streaming
  • Marcas
  • Guias e Agenda

© 2022 Caderno Pop - Layout by @gabenaste.

%d