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Ruas da Glória
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Crítica: “Ruas da Glória”

Texto: Ygor Monroe
2 de abril de 2026
em Cinemas/Filmes, Resenhas/Críticas

Desejo e perda costumam caminhar lado a lado quando o afeto encontra terreno instável. “Ruas da Glória” mergulha nesse espaço onde identidade, luto e obsessão se confundem, conduzindo uma narrativa que transforma a busca por pertencimento em uma experiência intensa e, por vezes, destrutiva.

Crítica: "Ruas da Glória"
Crítica: “Ruas da Glória”

A história acompanha Gabriel, um professor que tenta reorganizar a própria vida após uma perda significativa. O deslocamento para o Rio de Janeiro funciona como ponto de partida para uma reconstrução que rapidamente se desvia do esperado. O encontro com Adriano não surge como salvação, mas como vertigem, um mergulho emocional que dissolve fronteiras entre desejo, dependência e autodestruição.

Interpretado por Caio Macedo, Gabriel é conduzido por impulsos que revelam fragilidades profundas. Existe uma entrega física e emocional que sustenta o personagem mesmo quando o roteiro opta por caminhos mais previsíveis. Ao seu lado, Alejandro Claveaux constrói uma presença enigmática, embora limitada por escolhas de composição que nem sempre favorecem a imersão. A relação entre os dois se estabelece como eixo central, marcada por intensidade e desequilíbrio.

Sob a direção de Felipe Sholl, o filme aposta em uma abordagem que privilegia o impacto sensorial. As cenas de intimidade e os excessos se acumulam como tentativa de traduzir um estado emocional em colapso. Existe uma insistência em traduzir sentimento através do corpo, o que, em determinados momentos, enfraquece a construção dramática ao substituir complexidade por repetição.

O olhar sobre o submundo urbano segue uma linha já conhecida dentro do cinema contemporâneo. A trajetória do personagem se aproxima de narrativas que exploram relações tóxicas como catalisadoras de transformação. A sensação de familiaridade pesa, especialmente quando o roteiro parece mais interessado no choque do que na reflexão.

Ainda assim, o filme encontra força em instantes específicos. Quando desacelera e observa, surgem nuances mais interessantes sobre solidão, pertencimento e a necessidade de reconstruir laços. A ideia de família escolhida aparece como um respiro dentro do caos, apontando para caminhos que poderiam ter sido mais explorados.

A ambientação no Rio de Janeiro, porém, carece de identidade mais marcante. A cidade surge como pano de fundo, sem a força simbólica que o título sugere. O espaço urbano perde a oportunidade de dialogar diretamente com o estado emocional do protagonista, tornando-se cenário genérico para uma história que pedia mais personalidade.

“Ruas da Glória” se constrói como um retrato de excessos e ausências, onde o amor se mistura com dependência e a busca por sentido se transforma em queda livre. Um filme que encontra potência nas performances, mas que se perde ao insistir em caminhos já muito percorridos dentro do gênero.

“Ruas da Glória”
Direção: Felipe Sholl
Elenco: Caio Macedo, Alejandro Claveaux, Diva Menner
Disponível em: cinemas brasileiros

⭐⭐⭐

Avaliação: 2.5 de 5.

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Temas: Alejandro ClaveauxCaio MacedoCríticaDiva MennerResenhaReview

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