Sabrina Carpenter sempre teve aquele faro pop certeiro, mas em “Man’s Best Friend” ela se aventura em um território arriscado, brincando com diferentes referências sonoras e visuais que provocam tanto entusiasmo quanto controvérsia. O disco chega menos de um ano após “Short n’ Sweet”, e essa velocidade criativa traz ao mesmo tempo energia e uma certa sensação de atropelo.
- Lollapalooza 2026: line-up tem Sabrina Carpenter, Tyler, The Creator, Chappell Roan e Deftones
- Confira a agenda de shows de setembro em São Paulo
- Saiba o que chega aos cinemas em setembro de 2025

O álbum é construído em cima de uma produção grandiosa, que mistura pop com elementos de disco, R&B, country e até um flerte com o synth-rock. A assinatura de Jack Antonoff e John Ryan é perceptível, mas a diferença aqui está na forma como tudo é apresentado: é um trabalho que soa meticulosamente produzido, mas às vezes também excessivamente polido, quase como se Sabrina tivesse o desejo de abraçar muitas ideias ao mesmo tempo.
Se a parte instrumental impressiona pela qualidade e pela ousadia das combinações, o conteúdo lírico levanta discussões. Sabrina adota um tom que oscila entre o irônico, o provocativo e o confessional, sempre com esse humor ácido que ela já vem cultivando em sua trajetória. A questão é que esse discurso, por vezes, parece girar em círculos, reforçando uma mesma narrativa que pode soar repetitiva quando o ouvinte busca densidade maior.
O impacto visual do disco é outro ponto impossível de ignorar. A capa causou polêmica imediata, com acusações de apelo ao olhar masculino e até de insensibilidade, mas também recebeu interpretações de sátira, como se Sabrina estivesse justamente desmontando estereótipos de sexualidade feminina. Essa dualidade é coerente com o próprio conteúdo musical, que parece sempre oscilar entre a autoparódia e a afirmação, entre o jogo de poder e a vulnerabilidade. A provocação aqui não é gratuita, é parte da estratégia de Sabrina em se colocar como figura central do debate cultural.
Tecnicamente, “Man’s Best Friend” tem momentos em que brilha de forma cristalina, especialmente quando se percebe como a produção valoriza as linhas vocais de Sabrina. Sua voz aparece mais limpa, mais segura, explorando registros que mostram o quanto ela cresceu artisticamente. Ainda assim, o disco peca por cair em repetições temáticas e por não oferecer uma narrativa coesa do início ao fim. Fica a sensação de que existe um grande álbum escondido ali, mas fragmentado por escolhas que miram no impacto imediato em vez da perenidade.
Há quem veja nesse trabalho um dos pontos altos da carreira da cantora, especialmente pelo salto de produção e pelo jogo de imagens que o cerca. Outros, ao contrário, entendem como um projeto disperso, sem a mesma força de hits anteriores. As duas leituras fazem sentido. “Man’s Best Friend” é, acima de tudo, um disco que polariza. E talvez seja exatamente esse o objetivo: colocar Sabrina Carpenter como protagonista em um cenário pop cada vez mais previsível, mesmo que isso signifique dividir opiniões e assumir riscos artísticos.
No fim das contas, “Man’s Best Friend” é um álbum que impressiona mais pelo conjunto visual e pela coragem do que pela consistência musical. Não é um passo em falso, mas tampouco é um acerto absoluto. É Sabrina explorando limites, testando até onde consegue levar sua imagem e sua música sem perder a conexão com o público. E nesse jogo de tensões, ela confirma que continua sendo uma das figuras mais interessantes do pop.
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.






