Há filmes ruins. E há “Se Não Fosse Você”, que redefine o significado de catástrofe cinematográfica. O novo drama dirigido por Josh Boone é o tipo de experiência que faz o espectador se perguntar se a câmera estava ligada por engano. É uma mistura indigesta de melodrama vazio, atuações desajustadas e diálogos que beiram o absurdo, onde nenhuma emoção parece verdadeira e nada se sustenta por mais de dois minutos.

O filme tenta se vender como um retrato sensível sobre luto e reconciliação, mas entrega algo próximo de um comercial estendido de novela adolescente. A premissa já é desgastada: uma mãe tentando reconstruir a vida após perder o marido e uma filha buscando liberdade em meio ao trauma familiar. O problema é que Boone parece incapaz de transformar esse drama em cinema. Tudo é tão raso, tão mal conduzido, que a dor dos personagens se dissolve em superficialidade.
Allison Williams parece perdida no próprio papel, oscilando entre expressões genéricas e lágrimas forçadas que não convencem nem por um instante. Mckenna Grace, normalmente talentosa, está engessada em um roteiro que a reduz a uma caricatura de adolescente revoltada. Nenhuma das duas tem química, e as tentativas de criar momentos emocionantes resultam em cenas artificiais e constrangedoras. Há um vazio imenso entre o que o filme pretende dizer e o que ele realmente comunica.
A fotografia tenta emular uma estética “indie” com iluminação suave e tons quentes, mas a direção de Boone parece confundir sensibilidade com letargia. “Se Não Fosse Você” é o tipo de obra que acredita que silêncio e câmera lenta são sinônimos de profundidade. A trilha sonora melosa reforça a sensação de estar assistindo a um clipe mal editado de um romance que jamais se concretiza.
O roteiro, adaptado de um livro de Colleen Hoover, é um desastre à parte. Hoover já é conhecida pelo sentimentalismo exagerado, mas aqui o resultado é uma caricatura do próprio estilo. A adaptação transforma diálogos ruins em algo ainda pior, com frases que soam escritas por um gerador de clichês. O filme se esforça tanto para ser dramático que beira o paródico.
A narrativa é tão desorganizada que o luto dura o tempo de uma piscada. O filme pula de uma tragédia familiar para uma sequência romântica sem qualquer transição emocional, como se a dor pudesse ser resolvida com um beijo. A seriedade dos temas (perda, culpa, perdão) é tratada com tamanha displicência que chega a ser ofensiva.
Nada funciona. A montagem é irregular, os personagens são inconsistentes e o clímax, que deveria ser catártico, soa como o final de um filme que desistiu de si mesmo. Boone parece acreditar que o simples fato de adaptar um best-seller garante profundidade emocional, mas o resultado é o oposto: um espetáculo de falta de propósito, onde até o público mais indulgente perde a paciência.
“Se Não Fosse Você” é o retrato perfeito de uma indústria que tenta empacotar emoções como produtos de consumo rápido. Um drama sem alma, sem ritmo e sem coragem de assumir o que é: um erro. Assistir a este filme é como observar uma sequência de cenas que se odeiam entre si, presas em um roteiro que se nega a existir.
Ao fim, resta uma única sensação: arrependimento. E talvez seja esse o único sentimento que o título realmente entrega.
“Se Não Fosse Você”
Direção: Josh Boone
Roteiro: Susan McMartin
Elenco: Allison Williams, Mckenna Grace, Dave Franco
Disponível nos cinemas.
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