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Crítica: “Stranger Things” – quinta temporada, parte 3 (episódio final)

Texto: Ygor Monroe
2 de janeiro de 2026
em Netflix, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

Quando uma série atravessa quase uma década da cultura pop, o encerramento deixa de ser um episódio e passa a funcionar como um ritual de despedida coletivo, carregado de expectativas, projeções e um desejo quase infantil de que tudo faça sentido no fim. A terceira parte da quinta temporada de “Stranger Things” entende esse peso e decide enfrentá-lo sem pressa, sem ironia e com uma ambição emocional que dialoga diretamente com o público que cresceu junto com Hawkins.

Crítica: "Stranger Things" - quinta temporada, parte 3
Crítica: “Stranger Things” – quinta temporada, parte 3

A narrativa mergulha de vez no confronto definitivo com Vecna e com o próprio Upside Down, mas o texto dos irmãos Duffer deixa claro desde os primeiros minutos que o verdadeiro campo de batalha sempre foi interno. O horror aqui funciona como linguagem emocional, nunca como espetáculo vazio. A série continua fiel à sua essência, usando o imaginário oitentista como estrutura simbólica, com referências que passam por Stephen King, John Carpenter, Spielberg e pela mitologia dos jogos de RPG, mas agora tudo aparece mais depurado, menos exibicionista e mais consciente do próprio legado.

O episódio final se constrói como uma sucessão de despedidas cuidadosamente orquestradas. Cada personagem carrega suas cicatrizes e suas escolhas, e o roteiro entende que amadurecer também envolve aceitar perdas. Eleven, novamente no centro da história, encontra seu arco mais coerente desde a primeira temporada. A personagem deixa de ser símbolo de poder para se tornar símbolo de decisão, e Millie Bobby Brown entrega uma atuação contida, madura e profundamente conectada ao silêncio, especialmente nas cenas em que o olhar comunica mais do que qualquer diálogo.

O núcleo adulto, liderado por Joyce e Hopper, ganha um fechamento emocionalmente honesto, sem a necessidade de grandes reviravoltas. Já o grupo original retorna àquilo que sempre definiu a série: amizade, imaginação e o jogo como metáfora da vida. O uso de “Purple Rain” como marcador temporal funciona menos como nostalgia musical e mais como um relógio emocional, reforçando a urgência e o peso do momento. Nada soa gratuito. Cada escolha musical, cada referência visual e cada pausa dramática existe para reforçar a sensação de fim.

Há excessos de duração e momentos em que a série se permite alongar emoções que poderiam ser resolvidas com mais concisão. Ainda assim, o impacto geral se mantém. O encerramento recusa respostas fáceis, optando por sugerir possibilidades em vez de oferecer certezas absolutas. A teoria sobre o destino de Eleven, apresentada como uma campanha de D&D, sintetiza tudo o que “Stranger Things” sempre foi: uma história sobre acreditar, mesmo quando o mundo insiste em dizer o contrário.

O último plano, com uma nova geração ocupando o espaço que um dia pertenceu aos protagonistas, reforça a ideia de ciclo, legado e continuidade simbólica. Hawkins muda, mas o espírito permanece. A série encerra sua trajetória com dignidade, emoção e respeito por quem acompanhou cada dado rolado desde o começo.

No fim, a despedida funciona porque entende que crescer envolve guardar memórias, fechar livros e aceitar que algumas histórias continuam vivendo fora da tela, na imaginação de quem as acompanhou.

“Stranger Things”
Criação e direção
: Matt Duffer e Ross Duffer
Elenco: Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Sadie Sink, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Winona Ryder, David Harbour, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Maya Hawke, Jamie Campbell Bower
Disponível em: Netflix

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 4 de 5.

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Temas: Caleb McLaughlinCharlie HeatonCríticaDavid HarbourFinn WolfhardGaten MatarazzoJamie Campbell BowerMaya HawkeMillie Bobby BrownNatalia DyerNetflixNoah SchnappResenhaReviewSadie SinkStranger ThingsWinona Ryder

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