Com “Karma”, seu quarto álbum de estúdio, o Stray Kids reafirma uma proposta artística que nunca se contenta com zonas de conforto. O grupo trabalha aqui com a ideia de destino, escolhas e consequências, mas sem tratá-la como conceito abstrato: a narrativa é conduzida pela sonoridade, pela intensidade e pelas contradições que fazem parte da identidade deles. O disco carrega uma energia que oscila entre o caos e a coesão, como se cada arranjo fosse uma batalha entre instinto e controle.
- The 0.0 Run: Heineken 0.0 estreia no universo das corridas de rua
- H&M chega ao Brasil reunindo música e moda
- Crítica: “Pssica”
Tecnicamente, “Karma” apresenta uma produção volumosa, com a habitual ênfase em instrumentais pesados, mudanças de ritmo abruptas e a mescla entre línguas que já se tornou marca registrada. Esse é o terreno onde o Stray Kids construiu sua estética, e aqui eles continuam explorando esse caminho, mas adicionando elementos que resgatam tendências antigas do K-pop e, ao mesmo tempo, experimentando com estruturas pouco convencionais. O resultado é um álbum que soa familiar e estranho ao mesmo tempo, equilibrando previsibilidade e risco.
Há um ponto de atrito inevitável: “Karma” é um trabalho ambicioso, mas também fragmentado. A densidade da primeira metade não se sustenta até o fim, e isso reforça a sensação de que algumas ideias foram desenvolvidas com menos atenção do que outras. Essa irregularidade, no entanto, não compromete a força geral do disco. Quando o Stray Kids acerta a mão, a intensidade é tão avassaladora que faz o ouvinte esquecer os momentos em que o álbum se perde em redundância.
O grande mérito aqui é a capacidade de transformar excesso em identidade. Ao invés de suavizar ou buscar linhas mais seguras, o grupo prefere expandir até os limites, ainda que isso resulte em passagens confusas ou até mesmo caóticas. Essa escolha estilística dá ao disco uma autenticidade que resiste às fórmulas fáceis que muitas vezes dominam a indústria. “Karma” pode não ser a obra mais coesa do Stray Kids, mas é um retrato honesto de uma banda que ainda parece movida por inspiração genuína, mesmo quando esbarra em seus próprios excessos.
O álbum funciona como uma metáfora do próprio título: destino é aquilo que se constrói com erros e acertos, com força e vulnerabilidade. “Karma” pode soar desigual, mas justamente nesse desequilíbrio está a sua potência. É um disco que pede mais de quem ouve, e recompensa na mesma medida em que desafia.
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.