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Crítica: The Black Keys, “No Rain, No Flowers”

O “No Rain, No Flowers” chega como o décimo terceiro capítulo da discografia do The Black Keys, e já carrega o peso de uma banda que sobreviveu a altos e baixos, mudanças de direção e até a um rompimento de gestão que deixou marcas. O disco nasce dessa fase de transição, mas em vez de se apresentar como um salto criativo, acaba soando como um retrato seguro demais de quem prefere se manter em terreno conhecido.

Crítica: The Black Keys, “No Rain, No Flowers”

A primeira impressão é a de um álbum bem produzido, mas excessivamente polido, como se a banda tivesse optado por suavizar suas arestas em busca de um alcance mais amplo. É visível o refinamento técnico: arranjos meticulosamente trabalhados, texturas sonoras que exploram nuances de soul e pop, e uma produção limpa que não deixa espaço para imperfeições. Mas junto dessa clareza, perde-se um pouco da imprevisibilidade que sempre deu força ao som do The Black Keys.

Gravado em Nashville, com um time de compositores experientes, o álbum revela uma escolha consciente por uma escrita mais redonda e acessível. O blues, que já foi o alicerce do duo, aparece de forma cada vez mais diluída, quase como um aceno distante ao passado. No lugar dele, entram linhas melódicas mais suaves, harmonias luminosas e um clima geral que prioriza fluidez em vez de intensidade. É música agradável, mas que raramente arrisca um movimento mais ousado.

O que se percebe é uma clara tentativa de reposicionar a identidade sonora, apostando em elementos que conversam mais com o pop alternativo atual do que com o rock cru que fez a banda despontar. Esse direcionamento não é necessariamente um problema (bandas evoluem), mas aqui o resultado parece mais uma coleção de ideias bem-intencionadas do que um conceito sólido que amarre a obra de ponta a ponta.

Apesar dessa homogeneidade, o álbum não deixa de entregar momentos de brilho. Há trechos em que a conexão entre Dan Auerbach e Patrick Carney aparece com força, mantendo aquele groove orgânico e a química que sempre foram marca registrada. Contudo, eles aparecem como pontos isolados, dispersos em meio a um repertório que, no conjunto, transmite uma sensação de repetição.

O maior desafio de “No Rain, No Flowers” é justamente a falta de uma identidade marcante dentro do próprio catálogo da banda. Não é um disco ruim, mas tampouco se impõe como essencial. É competente, é agradável, mas passa rápido demais, sem deixar aquele eco que permanece na memória. Para um grupo que já escreveu alguns dos riffs mais reconhecíveis do rock recente, a sensação é de que faltou um pouco mais de risco, de tensão criativa, de algo que rompesse a previsibilidade.

A produção é impecável, o talento dos músicos continua evidente, e há melodias que cumprem seu papel. Mas, para quem acompanha a trajetória do The Black Keys, fica a impressão de que ainda há mais potência guardada, esperando o momento certo para reaparecer.

Nota: 67/100 | The Black Keys, “No Rain, No Flowers”

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