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Crítica: “The Boys” – quinta temporada

Texto: Ygor Monroe
13 de abril de 2026
em Amazon Prime Video, Resenhas/Críticas, Séries, Streaming

Algumas distopias perdem a graça quando chegam perto demais da realidade. “The Boys” entra em sua quinta temporada com essa sensação incômoda de espelho, onde o exagero deixa de ser exagero e passa a soar como diagnóstico.

Crítica: "The Boys" - quinta temporada
Crítica: “The Boys” – quinta temporada

Criada por Eric Kripke, a série empurra seu universo para um ponto de ruptura. O Capitão Pátria já não é uma ameaça em ascensão. Ele é o sistema. O controle se estabelece pelo medo, pela manipulação e por uma engrenagem de desinformação que transforma qualquer evidência em ruído descartável. A violência aqui não precisa mais se esconder, ela virou política oficial.

O episódio de abertura deixa isso claro logo no cenário. Uma assembleia da Vought que parece mais um culto do que uma reunião corporativa. O discurso inflamado, a plateia hipnotizada, a sensação de que qualquer oposição já foi neutralizada antes mesmo de surgir. Antony Starr conduz o personagem com um nível de instabilidade que beira o insuportável. Cada olhar carrega a ameaça de um colapso iminente, e o mais assustador é perceber que ninguém ali tem poder real para contê-lo.

Do outro lado, Annie continua operando como força de resistência, infiltrando-se em um sistema que já aprendeu a se proteger de ataques diretos. A tentativa de expor a verdade sobre o voo 37 acaba engolida por uma estratégia eficiente de negação, onde a realidade é reescrita em tempo real. A série acerta ao mostrar que o controle da narrativa pode ser mais letal do que qualquer superpoder.

A presença de Sage adiciona uma camada ainda mais fria a esse jogo. Interpretada por Susan Heyward, a personagem entende que o poder moderno se constrói na percepção. Transformar provas em “deepfake” não é um recurso desesperado, é uma ferramenta consolidada. A mentira, quando repetida com precisão, deixa de ser questionada e passa a ser aceita como versão oficial.

Enquanto isso, o grupo central tenta se reorganizar em meio ao caos. Butcher, vivido por Karl Urban, assume uma postura ainda mais radical. O plano de desenvolver um vírus capaz de eliminar supers redefine completamente o conflito. Não se trata mais de enfrentar indivíduos, mas de apagar uma categoria inteira de existência. A linha moral, que já era frágil, praticamente desaparece.

Hughie, Mother’s Milk e Frenchie funcionam como peças de um jogo maior, aprisionados e usados como isca em um espetáculo calculado. A execução pública anunciada por Capitão Pátria não é apenas punição. É estratégia. Um convite à exposição dos inimigos restantes. O terror deixa de ser consequência e passa a ser método.

A temporada também reposiciona personagens que antes orbitavam a narrativa. A-Train, dividido entre sobrevivência e consciência, representa bem esse conflito interno. A escolha de proteger a família em vez de se envolver diretamente reforça um ponto essencial. Em um regime assim, qualquer decisão carrega culpa. Até a omissão tem peso.

O tom da série muda de forma perceptível. O humor ácido, que sempre funcionou como válvula de escape, dá lugar a uma atmosfera mais densa, quase sufocante. As situações absurdas continuam presentes, mas o riso já não surge com a mesma facilidade. Quando o cenário se aproxima demais do mundo real, a ironia perde espaço para o desconforto.

Ainda assim, “The Boys” mantém sua identidade ao explorar o grotesco como linguagem. O choque continua sendo parte da experiência, mas agora serve menos para provocar reação imediata e mais para construir um clima constante de tensão. Cada cena parece preparar o terreno para algo ainda pior.

Ao caminhar para seu desfecho, a série deixa claro que não há retorno possível ao caos divertido das primeiras temporadas. O que resta é um confronto inevitável, onde as consequências já não podem ser contidas. “The Boys” abandona o espetáculo leve para encarar o próprio peso, e essa escolha redefine completamente sua reta final.

“The Boys”
Direção:
Philip Sgriccia, Shana Stein
Elenco: Antony Starr, Karl Urban, Erin Moriarty, Jack Quaid, Karen Fukuhara, Laz Alonso, Tomer Capone, Chace Crawford
Disponível em: Amazon Prime Video

⭐⭐⭐

Avaliação: 3 de 5.

Resenha baseada nos episódios já disponíveis até o momento. Em caso de alterações ao longo da temporada, a matéria será atualizada.

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Temas: Antony StarrChace CrawfordCríticaErin MoriartyJack QuaidKaren FukuharaKarl UrbanLaz AlonsoResenhaReviewTomer Capone

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