A volta do The Hives com “The Hives Forever Forever the Hives” soa como um choque elétrico direto no coração do rock. O disco chega em 2025 com a urgência de quem não aceita envelhecer domesticado, preferindo a trilha da vitalidade barulhenta e cheia de atitude. E o resultado é justamente esse: um trabalho curto, direto e incandescente, que reafirma a identidade da banda sem medo de parecer repetitivo. O mérito aqui não é a reinvenção, mas a forma como o grupo prova que ainda consegue incendiar cada minuto de gravação com intensidade.
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A produção reforça essa estética bruta e cheia de vida. A escolha de gravar em estúdios de peso, com nomes de diferentes gerações orbitando o processo, trouxe camadas interessantes para o som, sem perder a essência crua que sempre caracterizou o The Hives. O equilíbrio entre experiência e descontrole foi lapidado por quem entende que a banda funciona melhor no limite, com guitarras afiadas, vocais rasgados e uma seção rítmica que não abre espaço para respiro. É um álbum que pulsa como se cada canção fosse feita para ser tocada ao vivo, em volume máximo, diante de uma plateia em transe.
O que impressiona é como o The Hives mantém a mesma energia de duas décadas atrás sem soar deslocado. Se muitas bandas do revival garageiro dos anos 2000 se perderam na tentativa de amadurecer ou sofisticar sua sonoridade, o quinteto sueco escolheu permanecer na simplicidade estratégica. O tempo não domou o grupo, pelo contrário, fortaleceu sua autopercepção. O The Hives não se permite experimentar pelo simples fetiche da novidade, mas pela habilidade de extrair novas fagulhas de uma fórmula que ainda funciona.
Há momentos em que o disco lembra aquela sensação de banda de garagem que encontrou as chaves da arena. Tudo é exagerado, debochado e conduzido com a confiança de quem sabe exatamente o tamanho da própria performance. O vocal de Pelle Almqvist está mais rasgado, mas em vez de soar como desgaste, funciona como combustível extra para o peso das faixas. As guitarras alternam entre riffs diretos e arranjos levemente ornamentados, sempre apoiadas por uma base de baixo que dá corpo e textura ao caos. É um rock que não tenta ser elegante, mas que nunca cai no desleixo.
Outro ponto relevante é a duração. Em pouco mais de meia hora, “The Hives Forever Forever the Hives” entrega o que precisa sem enrolação. A brevidade funciona como estratégia estética: é um registro pensado para não cansar, mas também para deixar o ouvinte pedindo por mais. A sensação é quase cinematográfica, como se o disco fosse um rolo de filme acelerado, cada corte montado para criar impacto imediato. Não existe sobra, não existe enfeite inútil, apenas a essência concentrada do The Hives em alta voltagem.
Se pensarmos na discografia, este é um trabalho que consolida a banda em sua fase madura, sem perder a voracidade juvenil. Não há aqui a melancolia de veteranos tentando reconstituir a própria glória, mas sim a vitalidade de quem se diverte em reafirmar o próprio estilo. Para quem acompanha desde os primeiros discos, o impacto é claro: o The Hives não é uma banda em busca de validação, mas um organismo vivo que se recusa a ser arquivado como peça de museu. Este álbum é prova de que a relevância pode estar na insistência, e que a autenticidade também se mede pela coerência.
“The Hives Forever Forever the Hives” não muda as regras do jogo, mas lembra por que a banda ainda é indispensável. É um trabalho que vibra entre o cômico e o sério, o cru e o calculado, o velho e o novo. Um disco que funciona como manifesto: o The Hives permanece intocável, exagerado, barulhento e absolutamente necessário.
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