Ícone do site Caderno Pop

Crítica: “The Home”

Existe uma certa frustração inevitável ao assistir “The Home”. Não porque o filme seja ruim, ele não é. Mas porque fica o tempo todo a sensação de que ele poderia ser muito mais do que realmente é. Dirigido por James DeMonaco e estrelado por Pete Davidson, o longa abraça o horror corporal, a estética dos pesadelos e a bizarrice de um asilo amaldiçoado, mas só se encontra de verdade quando decide se libertar da própria hesitação. E aí, quando finalmente ganha fôlego, já estamos no terceiro ato.

Crítica: “The Home”

A história gira em torno de Max, um homem quebrado por dentro, filho adotivo marcado pela tragédia, que se vê obrigado a trabalhar como zelador de uma casa de repouso como forma de liberdade condicional. A partir daí, o filme parece querer brincar com a velha e batida ideia de que “idosos são assustadores”, se perdendo em clichês até finalmente se libertar deles. O que começa como uma história de estranhamentos e surtos noturnos vai, aos poucos, se transformando em uma verdadeira espiral de loucura, rituais e sede de juventude. Literalmente.

Sim, existe um culto. Sim, existe uma divindade. E sim, tudo gira em torno dos olhos. Se você tem agonia com agulhas se aproximando da córnea, prepare-se. A tal “fonte da juventude” é o néctar que se esconde atrás dos globos oculares, e esse povo do quarto andar não está para brincadeira. A estética é grotesca, suja, com efeitos práticos que causam um desconforto legítimo e isso é um dos pontos altos do filme. O problema é o tempo que ele leva para realmente se assumir como esse delírio gore e visceral que promete.

Durante quase todo o percurso, “The Home” se arrasta, hesitando entre o terror psicológico e a crítica social. Em alguns momentos tenta ser mais profundo, levantando temas como solidão na velhice, a precariedade do sistema de saúde e o abandono, mas nunca mergulha de verdade. Fica na superfície. E, nesse jogo de insinuações, perde tempo demais. Quando a carnificina finalmente começa, parece que outro filme tomou o controle. E, sinceramente, esse segundo filme é muito mais interessante.

O terceiro ato é um deleite para quem gosta de horror exagerado. Max, em estado de pura adrenalina, pega duas machadinhas e se transforma numa máquina de destruição. É sangue para todo lado, idoso psicopata voando pela sala, e um protagonista coberto da cabeça aos pés por um banho de redenção. Essa sequência final tem a energia e o espírito que o filme inteiro deveria ter adotado desde o começo. É ali que ele se justifica, se liberta e finalmente diverte.

Pete Davidson entrega uma atuação funcional, mas limitada pelo material. Existe um esforço sincero em construir um personagem trágico, mas o roteiro não dá a ele profundidade suficiente para que a gente se importe de verdade. O passado traumático do protagonista é mencionado, mas nunca é explorado com complexidade. Ele vira apenas um pano de fundo para justificar a explosão final.

“The Home” é um filme que parece feito sob medida para festivais que amam body horror e mistérios envoltos em simbolismo barato. Mas, ao mesmo tempo, tem personalidade o suficiente para não ser apenas uma cópia malfeita de outros filmes melhores. Ele dança com o absurdo, abraça o nojento, e quando finalmente chuta o balde, oferece um espetáculo macabro digno de nota.

No fim das contas, “The Home” é uma experiência irregular. Começa morno, se arrasta demais, mas vence pelo cansaço quando entrega uma catarse sangrenta e estranhamente satisfatória. Não é memorável, mas também não é descartável. É o tipo de filme que, se você tiver paciência, pode acabar gostando mais do que esperava. E no cinema de horror atual, isso já é muita coisa.

“The Home”
Direção: James DeMonaco
Elenco: Pete Davidson, Bruce Altman, Marilee Talkington, John Glover, Matthew Miniero, Jagger Nelson, Jimmy Gary Jr., Ethan Phillips, David Moreland, Nathalie Schmidt, Linder Sutton, Daphne Rey, Jessica Hecht, Mary Beth Peil
Disponível em: em breve nos cinemas

Avaliação: 2.5 de 5.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Sair da versão mobile